Como era antes?

Opinião / 22/10/2020 - 06h00

Flávio Aburachid*

Durante uma aula na qual discutíamos um texto sobre a evolução dos serviços logísticos proporcionada pelas telecomunicações e tecnologia da informação, uma aluna indagou-me: 

“Professor, no mundo atual a logística é essencial a tudo. Como era antes?”. 

Fiquei abalado com a pergunta, pois mesmo tendo vivido no antes, precisei fazer um esforço de memória para relembrar da logística num mundo não interconectado como hoje. Vieram-me à lembrança a maior imprecisão de controles, a dificuldade de gerenciamento, o rastreamento praticamente impossível, a inevitável papelada e a mesmice dos serviços logísticos.

Atualmente, a palavra logística é empregada nas mais diversas situações. Recentemente, ouvi no rádio um repórter explicando a respeito da logística que o time de futebol adotaria para fazer jogos consecutivos em cidades diferentes. A logística e os serviços logísticos embrenharam-se de tal forma no cotidiano da sociedade, que tornou-se difícil conceber a vida sem eles. Desde o motoboy, que talvez não se saiba um Prestador de Serviços Logísticos, até a complexa cooperação entre empresas onde a fornecedora ocupa uma área na planta da cliente e responsabiliza-se pela disponibilidade do item exato, no momento exato para sua utilização na linha de produção, num processo sofisticado em termos de planejamento, controles e gerenciamento.

Se, há poucos anos, alguns estabelecimentos comerciais, principalmente farmácias e restaurantes, ofereciam entregas em domicílio como u<CW-23>m serviço agregado, complementar ao serviço principal, hoje os chamados serviços de delivery (principalmente de comida) inverteram essa lógica: o cliente pede e paga a comida pelo aplicativo de smartfone do serviço de delivery e os pedidos são repassados aos restaurantes associados. Além disso, as empresas de delivery estão implantando grandes cozinhas para serem compartilhadas pelos restaurantes, as chamadas dark kitchens, a fim de facilitarem as suas operações de coleta em um mesmo endereço e a roteirização de entregas. 

Para um hospital, é essencial a retirada, lavanderia e reposição de roupas de cama, banho e vestuário dos profissionais. Para laboratórios de análises clínicas, é fundamental o acondicionamento e transporte apropriado de material biológico. Para os moradores de condomínios residenciais, as compras para abastecimento da despensa da família são uma questão importante, pois geralmente não há supermercados e padarias próximos. Essas situações são exemplos de necessidades percebidas e atendidas por novos serviços logísticos. 

Como digo aos meus alunos, a palavra logística possui vários significados e há inúmeras oportunidades para a criação de novos serviços logísticos, numa sociedade em acelerada transformação, conectada instantaneamente via internet e pelos aplicativos de smartfones. 

*Engenheiro Civil, especialista em Sistemas de Informação, professor do curso de Engenharia Civil das Faculdades Kennedy e Promove.

 

 

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