Conectividade e transformação digital

Opinião / 17/09/2020 - 06h00

Augusto Zadra *

Com toda a transformação digital vivida nos últimos meses percebemos com espanto, o rápido avanço da tecnologia e, por conseguinte das conexões de redes. Uma variedade de dispositivos pessoais conectados como celulares, smartwatches (relógios inteligentes), carros, geladeiras ou até mesmo casas inteiras, somam-se a dispositivos públicos como semáforos, sinalizadores sonoros, sensores de temperatura, câmeras de monitoramento e lâmpadas da iluminação pública! Todos espalhados pela cidade! É a Internet das Coisas que resumidamente, traz a possibilidade de programarmos e conectarmos à rede diversos dispositivos que há pouco tempo não se conectavam à Internet. Este conceito cresce rapidamente como um agente expressivo da transformação digital e, para que todos estes componentes conversem, deve haver conectividade. 

Chegamos ao ponto de nossa abordagem, a boa e velha rede, seja ela cabeada ou sem fio, de alta ou baixa velocidade. Independente da amplitude da revolução digital que estejamos vivenciando, precisamos buscar a conexão entre tudo e todos. A rede passa a ser o ponto de convergência que nos leva ao mundo digital permitindo receber as informações de ambientes. Nesta perspectiva, já não temos dúvidas que estamos vivendo o futuro. Porém, nosso país ainda tem graves problemas de infraestrutura de redes. É um país continental e o desafio de levar conectividade de rede com qualidade (e aqui digo sobre largura de banda e tipo de conexão – fibra, rádio ou outros) dificilmente será alcançado se mantivermos este modelo de concessionárias que temos atualmente. Repensar os caminhos da informática pública, ou seja, aquela que dá o apoio básico através do governo de alguma forma (por exemplo a oferta de uma malha para ligação em fibra ótica entre algumas cidades), tornariam os preços mais acessíveis, poderia ser um caminho. Permitiria por exemplo, fomentar negócios de provimento de acesso em cidades menores e levaria sim acesso de qualidade a maior parte da população. Qual seria a abrangência das comunicações se houvesse boa qualidade de sinal em qualquer um dos cantos do país? Imaginem um grande depósito de dados com registro de tudo que acontece em vários lugares ou aplicações de mobilidade, monitoramento de riscos de catástrofes naturais, monitoramento de problemas de saúde e diversas outras. São inúmeras as possibilidades! 

Desta forma, a formação do profissional de redes está sofrendo mutação, a comunicação é parte de um todo digital, mas temos aplicações e protocolos de comunicação de diversos tipos (textos, voz, vídeo) que deverão ser conhecidos, pensados e repensados. O profissional de redes é o arquiteto desta comunicação e entendo que sempre terá espaço garantido no mercado para atuar de forma estratégica, tornando-se inclusive responsável por atividade essencial nestes tempos que é manter as pessoas e coisas conectadas. Considere também sua inserção nas discussões sobre o Marco Civil que já é uma realidade e a Lei Geral de Proteção de Dados, legislações já vigentes no país. Divirtam-se então nestas leituras da legislação para que, profissionais da área ou cidadãos sejam conhecedores dos seus direitos. 

(*) Mestre em Tecnologia da Informação, professor do Centro Universitário Promove e Gestor na Prodemge. 

 

 

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