Conscientização sobre o meio ambiente

Opinião / 14/09/2019 - 06h00

Julio Sobral

Em tempos de crises ambientais, como a que vivemos no Brasil – e talvez boa parte do mundo –, é ainda mais importante falar sobre conscientização. Conscientizar massas só é possível quando conseguimos ter uma visão e compreensão do valor do meio ambiente, da natureza e dos animais em nossas vidas.

A humanidade usa 20% a mais em recursos naturais do que o planeta consegue repor, segundo relatório Living Planet, da WWF (Fundo Mundial para a Natureza). Outro dado preocupante é que neste ano, mais precisamente em 29 de julho, a população mundial esgotou os recursos que o Planeta Terra consegue regenerar. Isso é, o que tínhamos disponível para o ano inteiro, acabou na metade dele, segundo a Global Footprint Network, uma organização responsável por cálculos que marcam a Pegada Ecológica.

Há 20 anos essa data era 29 de setembro. Dez anos atrás, passou para 18 de agosto. Ou seja, é nítido que o nosso atual padrão de consumo está reduzindo drasticamente o tempo de duração dos nossos recursos. Projeções das Nações Unidas sobre o aumento da população e do consumo indicam que em 2030 precisaremos de dois planetas Terra para acompanhar o nível de demanda por recursos naturais.

Mas, o que tudo isso tem a nos dizer? Muitas pessoas conseguem enxergar a urgência em se falar e resolver problemas ambientais quando tragédias ocorrem, como as queimadas na Amazônia, que aumentaram 80% só neste ano. Porém, um tema tão importante não pode ser assunto só em momentos de emergência. Está cada vez mais clara a importância de informar adultos e crianças sobre como as questões ambientais podem interferir irreversível e diretamente no nosso modo de viver, a curto, médio e, principalmente, longo prazo.

O ambiente natural é a base invisível de diferenças socioeconômicas entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento. Preservá-lo é também preservar a si próprio, nossos filhos e as próximas gerações. Destrui-lo significa abalar a economia, o emprego e a saúde, enfim, a nossa sociedade como um todo.

Para que esse movimento seja eficiente, é preciso falar sobre os temas atrelados ao meio ambiente que podem influenciar as nossas vidas, mas de forma recorrente. O canudo plástico é um exemplo de como assuntos frequentes na mídia e no nosso dia a dia podem trazer retornos positivos.

De forma viral, vídeos, matérias e informações sobre o efeito do plástico em tartarugas acabou fazendo com que muitas pessoas se mobilizassem pela diminuição do consumo desse item.

Alternativas sustentáveis se popularizaram e o desperdício zero ficou muito em alta.

Mas não é só o canudo que é feito de plástico, certo? O Fórum Econômico Mundial de Davos determinou que, em 2050, os oceanos terão mais plástico do que peixes, se a produção continuar assim. E por que ainda não nos atentamos e não foram criadas políticas para tantos outros utensílios plásticos dispensáveis no nosso dia a dia? É a recorrência desse tipo de comunicação, o apelo midiático, ensinamentos em casa e nas escolas que, de fato, causam mudanças. 

Para Paulo Freire, educador e filósofo, a educação e a conscientização andam juntas. Elas conseguem levar conhecimento ao indivíduo de forma que ele entenda criticamente sua realidade.

Assim, segundo ele, as pessoas conseguem fazer escolhas benéficas para si e pelo meio em que vivem. Para Freire, ainda, a comunicação está totalmente ligada a mudanças de comportamento e é por meio dela que pode haver mudanças de vidas e em sociedades.

Às crianças, é importante instruí-las a se sentirem responsáveis pelo meio em que vivem. O contato com a terra, as plantas e os animais, a reutilização de materiais, cuidados com as hortas, conversas, desenhos e brinquedos que estimulem a reflexão das ações do dia a dia, são imprescindíveis para fazê-las entender a importância em proteger a natureza, para o futuro.

Aos adultos, é bater na tecla de todas as formas de comunicação existentes. Manter o assunto em alta dia após dia, insistir no fato de que a proteção ao meio ambiente, aos animais, à natureza não é e não tem que ser preocupação apenas de ambientalistas, veganos e ativistas, mas uma preocupação com o próximo, consigo e com a humanidade como um todo.

Diretor Geral para a América Latina dos canais Love Nature 4K e ZooMoo

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