Copie muito até se tornar original

Opinião / 21/12/2019 - 06h00

Mauro Condé

“Comece copiando o que você ama. Copie, copie, copie e copie muito. Ao final de muitas cópias, você encontrará a si mesmo” (Yohji Yamamoto).

Acabo de voltar de uma viagem rumo ao conhecimento, usando como meio de transporte excelentes livros sobre Criatividade.

Eles me levaram para Austin, Texas, Estados Unidos, onde fui recebido pelo escritor Austin Kleon, autor do sucesso “Roube como um artista”, a quem fui logo pedindo:

Ensina-me algo que eu ainda não saiba e tenha o poder de mudar a minha vida para melhor.

Copie as pessoas que você mais admira até se tornar original.

Desenhe uma espécie de árvore genealógica nomeando as pessoas mais inteligentes e geniais que mais te influenciam na vida, vivas ou mortas, famosas ou anônimas.

Depois, pesquise sobre elas e descubra as pessoas mais geniais e inteligentes que influenciaram cada uma delas e continue fazendo isso até cerca de cinco gerações atrás.

Você descobrirá desse levantamento uma coisa incrivelmente fantástica:

Nenhuma das pessoas que você mais admira foi totalmente original do zero, todas as suas melhores ideias partiram de cópias das melhores ideias de outros gênios.

Portanto, copie sem pudor o máximo de ideias que você puder.

Depois, agrupe-as e espalhe-as sobre a sua mesa, misture-as com suas próprias ideias e pensamentos e transforme-as em algo totalmente novo.

Em seguida, mostre suas novas ideias para o mundo, para que possam roubá-las e copiá-las de você, para o mundo melhorar.

Um exemplo curioso de cópia criativa é a música “Feelings”, balada romântica que fez muito sucesso no Brasil e depois estourou pelo mundo nos anos 70.

Seu autor, Morris Albert (um brasileiro cujo verdadeiro nome é Maurício Alberto), ficou milionário com tanto sucesso, quase 200 milhões de discos vendidos em toda a carreira.

Só que na década de 80 ele foi justamente condenado pela justiça americana a pagar uma indenização altíssima por direitos autorais devidos.
Morris Albert foi condenado por ter feito uma cópia rasgada (plágio) de uma canção francesa desconhecida chamada “Pour Toi”, composta por Lolou Gasté, em 1957.

Lolou Gasté compôs uma obra prima que estava fadada ao fracasso e poderia não ter recebido um centavo, não fosse a cópia criativo de Morris Albert, um fenômeno de contaminação viral, numa era em que não existia a internet.

Copie muito, até se transformar em original, sempre respeitando os créditos e os direitos autorais.

Palestrante, consultor e fundador do Blog do Maluco

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