Deu branco, e agora?

Opinião / 18/10/2019 - 06h00

Ângela Mathylde

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é um dos momentos mais importantes na vida de quem passa anos estudando e se preparando para obter uma boa nota que garanta o ingresso na faculdade. Muitos fazem aulas particulares, frequentam monitorias nas escolas após as aulas e estudam em aplicativos e jogos no tempo livre. Mesmo assim, ao se deparar com algumas das questões na prova, pode surgir o famoso “branco”. E agora?

O bloqueio é uma incapacidade temporária de recuperar a informação aprendida, gerando muita frustração, pois a pessoa tem certeza de que sabe o conteúdo. Apenas não consegue se lembrar. Em uma prova longa e com muitas questões, isso é normal. A sensação é que a informação está próxima, mas a resposta não vem. Primeiro, o estudante precisa ter em mente que se trata de um bloqueio temporário, ou seja, uma hora lembrará. Algumas vezes, em questão de minutos isso acontece. 

A forma como o estudante se prepara para a prova influencia, e muito, no surgimento do “branco”. Se a pessoa enfrenta problemas, como ansiedade e falta de confiança, é preciso trabalhar esses transtornos para evitar atrapalharem na execução do exame. É importante ter uma boa noite de sono, evitar o consumo exagerado de bebidas como cafeína e se alimentar adequadamente. Quando a ansiedade é persistente, a recomendação é um acompanhamento psicológico para entender a causa do nervosismo.

Quando o branco ocorre no meio do exame, a dica é evitar o desespero. O bloqueio acontece, justamente em decorrência do estresse. Se a pessoa perder a calma, dificilmente se lembrará da resposta e acontecerá uma reação em cadeia. A frustração de esquecer uma resposta gera nervosismo, fazendo com que outras informações também sejam esquecidas. O ideal é pular a questão, respondendo perguntas mais fáceis, beber um pouco de água e, então, voltar à questão.

Outro aspecto relevante é trabalhar a confiança. O vestibulando fica muito sensibilizado e, diversas vezes, sente-se pressionado pela família, amigos e por si mesmo. É comum o candidato duvidar de sua própria capacidade. Se estudou, se preparou e se dedicou adequadamente, sabe a matéria e a resposta está em algum lugar em seu cérebro. Apenas, precisa se acalmar, lembrar da preparação e compreender que, caso a resposta não venha à mente, se dedicou ao máximo. É fundamental entender também que existem as matérias para as quais tem muita aptidão e outras que enfrentará dificuldades.

A recomendação é se preparar adequadamente e manter a calma. É crucial organizar bem o tempo de prova, pois são muitas questões e quem demora muito em uma pode perder tempo útil.

O ideal é ser ágil nas questões que considera fáceis, para garantir tempo livre para as questões em que o “branco” aparecer. A importância da saúde mental na preparação para exames e na aprendizagem será abordada pela programação do Congresso Internacional Brain Connection 2019, que acontece em Belo Horizonte, de 21 a 23 de novembro.

Psicopedagoga e organizadora do www.brainconnectionbrasil.com

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