Diabetes tipo 1 reduz tempo de vida das mulheres

Opinião / 03/09/2018 - 07h00

Airton Golbert (*)

O diabetes tipo 1 (DM1) era uma doença fatal até 1922, quando se descobriu o uso da insulina, tratamento necessário para que esses pacientes tenham vida praticamente normal. O DM1 ocorre em crianças e adultos jovens, sendo a segunda causa de doença crônica na infância. Para as crianças menores, o início da doença pode ser dramático – o diagnóstico frequentemente ocorre por uma cetoacidose diabética (quando não há insulina suficiente no corpo), causando desidratação, náuseas e fraqueza, dentre outros, podendo levar à morte se não tratada imediatamente. 

No diabetes tipo 1, 80% dos casos aparecem até os 30 anos de idade. O risco de morte reduziu muito com os avanços no tratamento, tendo uma diminuição de 29% em um período de dez anos. Entretanto, a mortalidade pela doença está até oito vezes maior, refletindo na perda da expectativa de vida. As doenças cardiovasculares (frequente complicação do diabetes), com maior incidência dos casos de infarto do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais (AVCs/derrames), são a principal causa do aumento da mortalidade do DM1. As sociedades de diabetes europeias e americanas recomendam tratamento agressivo dos fatores de risco cardiovasculares em pacientes com DM1, especialmente naqueles acima de 40 anos. 

O estudo sueco, publicado na revista científica The Lancet, analisou a mortalidade entre portadores de diabetes tipo 1 e a população em faixas etárias relacionadas ao início do quadro de diabetes, sendo que esses dados não são relatados na literatura médica. Foram analisados 27 mil portadores de DM1 e comparada a sua mortalidade com 135.000 pessoas da população não diabética. 

O resultado mostrou uma associação entre a idade do diagnóstico da DM1 e o risco de mortalidade com a doença cardiovascular. Pacientes com diabetes tipo 1 têm risco 30 vezes mais de doença cardíaca das coronárias e 90 vezes mais chances de ter infarto agudo do coração. Para infarto e doença das coronárias, o risco é cinco vezes maior em pacientes que desenvolveram a doença até os 10 anos, e também para aqueles com início entre 26 e 30 anos.

De acordo com a pesquisa, mulheres que desenvolvem a doença antes dos 10 anos de idade, morrem 18 anos antes das mulheres que não têm diabetes tipo 1. Quanto aos homens na mesma situação, o tempo de vida é reduzido em 14 anos. Esses dados da importância da idade do diagnóstico do DM1 no prognóstico do risco de morte não eram conhecidos ainda. Portanto, é indicado pesquisar pelas doenças cardiovasculares, que são a principal causa desta mortalidade aumentada. É crucial utilizarmos todas as medidas cabíveis para proteção desta população de DM1 com diagnóstico antes dos 10 anos de idade, para tentar mudar essa perspectiva de morbidade e mortalidade precoce.

(*) Membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)

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