Direto ao assunto

Opinião / 11/06/2019 - 06h00

Aristóteles Drummond

O Brasil está em grave crise e com dificuldades em retomar o crescimento. Bons projetos e boas intenções não resolvem o emprego, o buraco - nem a cratera nas contas públicas. Há muita gente sofrendo, muitas oportunidades perdidas.

Seria o momento de não se debater outros assuntos, mesmo que importantes para uma camada da população. É preciso que fiquemos no que realmente interessa.

Há muitas coisas que têm de ser feitas. Conclusão de obras inacabadas, criação de um ambiente favorável ao investidor e empreendedor, esclarecer via Legislativo as dúvidas surgidas no combate à impunidade. E mais: ampliar a base de contribuintes sem aumentar a carga, usando sistemas modernos e desburocratizados para tornar o Judiciário mais rápido e mais simples, e remontar o sistema de saúde.

Temos que dar uma pausa de política barata do ser contra por princípio, de atrasar as reformas, na futrica menor, incluindo o chamado “fogo amigo”. O que, aliás, de amigo não tem nada.

Estamos numa situação que exige posições de coragem e patriotismo, como o apoio da deputada Tábata Amaral, de oposição, que se manifestou favorável à reforma da Previdência. No mais, é mostrar ao povo quem está agindo com raiva e ressentimento, e não com o esperado patriotismo de quem faz política. Afinal, deve-se supor que todos amam o Brasil.

Vivi, pessoalmente, uma experiência e uma lição quando recebi em minha casa o ex-governador Brizola, em 2002, a quem estávamos apoiando num segundo voto, por exclusão. Diante dos convidados, eu me referi aos anos em que o combati e ele, na resposta, me disse que, na verdade, nunca estivemos em campos opostos, mas em linhas paralelas, tendo em comum o objetivo do bem do Brasil. Brizola amadureceu no segundo mandato e, ao se aliar ao presidente Figueiredo, muita coisa pôde obter para o Rio.

É isso que devemos fazer. Uma pausa para tirar o país da crise e, depois, discutirmos outros temas. Cabe aos dois lados, é claro, ou também ao terceiro, que é o grupo do “fogo amigo”. Isso é o que o povo quer.

Deve-se observar que a quebra do país não vai beneficiar ninguém. Está aí a Venezuela, onde o povo tem fome e os governantes não conseguem dormir em paz, mesmo que de barriga cheia. Ninguém vai ganhar este jogo com divisão, sabotagem e babaquices. E o povo sabe disso.

Jornalista e escritor

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