Diversidade e Inclusão na Pauta ESG

Opinião / 04/09/2021 - 06h00

Jandaraci Araújo*

Se a sociedade é essencialmente heterogênea, por que as organizações insistem em ser homogêneas? Como uma empresa pode ser competitiva, inovadora e longeva sem a ebulição de pensamentos diversos propondo soluções disruptivas? E como a pauta de diversidade e inclusão se conecta com os parâmetros de ESG?

Para começar, empresas são feitas de pessoas e para pessoas. Instituições dos mais variados setores já entenderam que ações de diversidade e inclusão são necessárias para o sucesso e resiliência dos negócios. Por um lado, os “clientes” atentos e cada dia mais engajados em consumir ou se relacionar com empresas éticas e com propósito claro. De outro lado, os investidores valorizando não apenas o lucro, mas também o impacto social e ambiental das empresas investidas. Trata-se de ESG (Environmental, Social and Governance) na prática; as três letrinhas que viraram trend topics quando o assunto são investimentos sustentáveis.

O tema da diversidade abarca tanto o pilar Social quanto o de Governança. Sob a perspectiva do Social – ações de diversidade e inclusão ajudam no cumprimento de três dos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável): objetivos 5 (Igualdade de Gênero), 8 (Trabalho Digno e Crescimento Econômico) e 10 (Redução das Desigualdades).

No pilar de Governança – é a composição e diversidade do conselho de administração que contempla a importância da adoção de uma agenda alinhada e gera uma série de impactos positivos para os negócios, além de atrair investidores.

As estratégias de diversidade e inclusão geram valor no curto, médio e longo prazo. Empresas compostas por pessoas com perspectivas diferentes proporcionam a inovação disruptiva, que diferentes origens e backgrounds catalisam. Ainda, segundo o estudo DDI, empresa de análise e pesquisa, a Ernst & Young (EY) mostra que as empresas que tiveram 30% de diversidade de gênero – e mais de 20% no nível sênior – apresentaram melhores resultados financeiros na comparação com as demais. Onde há diversidade significativa, é 1,4 maior a chance de crescimento sustentado e lucrativo.

E a pergunta que não quer calar é: O que falta para termos mais diversidade em todos os níveis da organização, desde o nível mais básico ao conselho de administração?

Estamos em um caminho que não permite retrocessos ou práticas como o “diversity washing”. Diversidade é inovação, inclusão é perpetuidade. Não há mais tempo para procrastinar nessa agenda, o momento é agora.

*Conselheira de Administração e cofundadora do Conselheira 101

 

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