E a economia depois da pandemia?

Opinião / 17/12/2020 - 06h00

Mafalda Ruivo Valente*

Para essa pergunta não existe resposta correta e definitiva porque a ciência econômica não é uma ciência exata. Existem muitas variáveis mudando constantemente e que direcionam o rumo da economia para melhor ou pior, e de maneira rápida ou demorada. O que se faz é indicar os prováveis rumos da economia com base nos indicadores de hoje do Brasil e do resto do mundo.

Então, quais são os rumos da economia? Algumas situações norteiam o andamento para os próximos meses. No cenário exterior, alguns países iniciaram uma lenta recuperação e começaram a comprar do Brasil. Entre julho e setembro o Brasil exportou parte considerável da produção de carne para a Ásia.

Portanto, à medida que os países iniciarem a retomada econômica e recomeçarem a comprar nossos produtos, poderemos ter uma recuperação vinda do setor exportador, repercutindo no nosso crescimento econômico.

No cenário interno, observamos em outubro um aumento da inflação devido à pressão dos preços principalmente da carne, arroz e óleo de soja.

Se o resto do mundo continuar a retomada, comprando cada vez mais e a nossa economia seguir “emperrada”, corremos o risco de vivenciar uma estagflação que é o aumento de preços (inflação) num momento de crise (recessão).

Apesar da possibilidade de uma estagflação ter sido falada nas últimas semanas, ainda não se pode afirmar que irá acontecer. Muitas atividades que foram paralisadas com a pandemia só começaram a ser retomadas no último mês. Portanto, há a possibilidade de haver um crescimento da demanda interna com essa retomada de atividades e também estamos no último trimestre, período em que normalmente há um aquecimento da economia com as compras de final de ano.

É preciso lembrar que ao falar de economia, todas as análises e previsões têm por base os fatos de hoje e falar do futuro, é fazer suposições que, para se realizarem, dependem de variáveis internas e externas.

Pode acontecer uma melhora da economia brasileira se a retomada das atividades que estavam paralisadas e o consumo de final de ano reverterem numa queda do desemprego e consequente aumento da demanda interna. Também é preciso conhecer o plano do governo para o equilíbrio fiscal.

Se não for iniciada a recuperação da economia, corremos o risco de vermos o real mais desvalorizado, as exportações aumentarem e os preços internos subirem, ou seja, entrar numa estagflação.

Como estará a economia depois da pandemia? Não é possível responder a essa pergunta com 100% de chance de acerto. Apenas podemos, ao analisar os fatos, ver os indicadores econômicos de hoje e o que acontece em outros países, avaliar as possibilidades, para tentar antever as situações e com isso traçar novas estratégias ou ajustar o planejamento em andamento.

*Economista, mestre em Economia Internacional e professora dos cursos de Administração e Gestão da Faculdade Promove.

 

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