E se fosse uma pandemia de amor e empatia?

Opinião / 16/10/2020 - 06h00

Ênio Reis*

Há poucos meses, vi uma postagem no Facebook que dizia mais ou menos assim: e se a pandemia fosse de amor e empatia? Infelizmente, não lembro quem postou, mas não esqueci mais esta mensagem. Ficou martelando em minha cabeça como se fosse um chamado, uma oração. Então, certa hora me perguntei: por que não? E se realmente existisse uma pandemia de amor e empatia? 

Resolvi, então, fazer uma pesquisa no whatsapp com a seguinte pergunta: pra você como seria uma Pandemia de Amor e Empatia? Enviei a pergunta para cerca de 200 pessoas de todas as faixas etárias, classes sociais e posicionamento político. Pessoas que vivem em várias cidades. As respostas foram encantadoras e parecidas. O mais citado foi o amor ao próximo, seguido do autoconhecimento, o que me remeteu ao mandamento de Jesus: “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”.

Foi aí que percebi que tal pandemia já existe e é muito maior do que se vê. Quem tem olhos para ver, veja. E quem tem ouvidos para ouvir, ouça. A pandemia de amor e empatia é silenciosa e está no ar que respiramos. Ela está em coisas que às vezes não percebemos. Assim sendo, precisamos contestar os atuais discursos de ódio tão presentes nas famílias, grupos de amigos, no mundo virtual e mostrar que o ódio é mais espalhafatoso que o amor. Ele é um exibido que aparece mais na ribalta porque provoca medo, escraviza, desorienta e ofusca a divindade em nós. Mas, o amor e empatia com menos ostentação, prevalecem.

Podemos entender que a Pandemia de Amor e Empatia é uma reação positiva e consoladora para este momento de estresse que estamos vivendo. É uma iniciativa que busca a mobilização social fazendo o seguinte convite: vamos usar a força do nosso amor e de nossa empatia para Esperançar um mundo melhor? É uma atitude que transfere o nosso olhar para o que há de melhor em nós. É revelar ações altruístas que são realizadas diariamente e que mostram o quanto a essência de nossa alma é boa.

A maioria de nós é do bem e tenta ser cada vez melhor. Às vezes nos distanciamos da evolução por medo e reagimos com violência às ameaças do mundo. Até quem não é bom de certa forma é do bem, pois nos faz aprender, evoluir, resistir num mundo cheio de mazelas. Esta nossa evolução diária é sutil, silenciosa, quase imperceptível se não estivermos atentos a ela. Mas ela é constante e inevitável. 

A Pandemia de Amor e Empatia é um chamado para que nos voltemos para dentro de nós, façamos uma faxina interna, deixemos nosso interior organizado e perfumado para devolver isto ao mundo. Vir par fora e levar este bem estar ao próximo. É o amar o próximo como a si mesmo.

*Idealista e Produtor Cultural

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Comentários