Educação e mão de obra qualificada

Opinião / 05/12/2019 - 06h00

Nelson Ferreira Filho

A indústria da educação é um empreendimento de base com vasta abrangência. Representa um valor inestimável de orientação e tem declarado uma alta taxa de retorno de investimentos. É considerada uma indústria altamente rentável. 

Países onde sua economia é consolidada e forte têm demonstrado destaque no setor educacional, quando se fala a respeito de resultados financeiros. Por exemplo; mais de 50 % de instituições de ensino superior, como Harward, Yale e Waseda, estão situadas em países desenvolvidos. Os indicadores econômicos desses países demonstram que o investimento em educação revela um maior retorno rentável em termos de investimento. 

A educação associada à qualidade contribui, gerando indivíduos com mão de obra qualificada e, certamente, esses indivíduos formam uma sociedade que poderá desenvolver produtos de alta qualidade.

Um dos fatores principais da competitividade da indústria está na eficiência do trabalho. Equipes com elevada escolaridade e formação continuada são capazes de criar e propor soluções mais eficazes para os problemas imprevisíveis do dia a dia. Têm melhor adaptação a produtos e a processos produtivos, bem como desenvolvem e implementam inovações e novas tecnologias.

No Brasil, a qualidade deficiente da educação básica e a reduzida oferta de formação técnica e profissional são barreiras para o crescimento da produtividade e da competitividade das empresas. Contudo, apesar da existência de alguns destaques, a educação superior no Brasil está distante das demandas do setor produtivo e das melhores referências mundiais de qualidade, o que coloca o país em desvantagem na capacidade de inovar e competir.

As inovações tecnológicas impulsionam a economia como um todo. As organizações industriais e as organizações educacionais têm que investir continuamente em processos melhores e mais eficazes para atender as demandas futurísticas.

A busca por profissionais qualificados que estejam aptos a trabalhar nessa nova indústria tem encontrado obstáculos na formação universitária e técnica. Por consequência, os cursos têm o grande desafio de se reinventar. Mas, para que se tenha um ensino diferenciado, atualizado e qualificado, os acadêmicos têm também que partir de uma base de formação diferente da que ainda é fornecida na educação básica, fundamentada em uma reprodução viciada de estruturas curriculares e conteúdos de longas décadas. 

Sem o conhecimento específico de habilidades e competências, no lugar dos conteúdos “tradicionais”, os indivíduos formados neste perfil educacional do modelo atual terão dificuldade de se adaptar a realidades que se apresentem diferentes do que vivenciam. Ou seja, terão dificuldade de se adequar às mudanças que, certamente, enfrentarão em sua vida profissional.

No olhar industrial, a educação é a garantia para o desenvolvimento sustentável do Brasil, fonte da alavancagem e uma das bases da elevação da produtividade.

A indústria brasileira vem realizando um perceptível esforço para sua inserção nos padrões competitivos do mercado mundial. Esse movimento é marcado pela acelerada incorporação de tecnologias à produção, processo que incentiva a inovação nos vários segmentos da atividade econômica e esbarra na indústria da educação. As mudanças nas organizações educacionais que estão sendo ajustadas com novos formatos organizacionais provocarão alterações no ambiente industrial.

Assim, pode-se afirmar que a indústria da educação é a intercone-xão para desenvolver a mão de obra qualificada.

Doutor em Engenharia de Produção, coordenador e professor dos cursos de Engenharia de Minas e Produção das Faculdades Kennedy de Belo Horizonte

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