Educação inclusiva

Opinião / 05/03/2020 - 06h00

Claudio Vieira de Lima*

Os portadores de deficiência intelectual, termo adequado para se referir aos deficientes mentais, caracteriza-se pelas limitações nas habilidades mentais gerais. Essas habilidades estão ligadas à inteligência, atividades que envolvem raciocínio, resolução de problemas, planejamento, entre outras. Por estas características os deficientes intelectuais foram por muito tempo discriminados, por termos e julgamentos que não retratam suas capacidades laborativas.

Faz pouco tempo que se dá importância à inclusão dos indivíduos com necessidades especiais intelectuais no mercado de trabalho. Apenas em 1991 foi promulgada uma Lei de Cota que trouxe à sociedade a necessidade de refletir sobre a potencialidade destas pessoas no mercado de trabalho. A lei de cotas deixou uma lacuna, em não distinguir as características diferenciadas para sua inclusão do deficiente intelectual perante as outras deficiências no mercado de trabalho. Assim temos uma sociedade historicamente preconceituosa e uma lei não efetiva. 

A ignorância é o que mais dificulta a inserção da pessoa com deficiência intelectual no mercado de trabalho. Isso porque existe uma associação direta entre deficiência intelectual e doença mental, por mais que sejam condições diferentes. Por conta dessa confusão é muito comum que as pessoas suponham o perigo de alguma manifestação violenta ou acreditem que o deficiente intelectual não sabe o que está fazendo. Esses preconceitos colaboram para a criação de vários estigmas que tornam a presença do deficiente intelectual no mercado de trabalho um tabu. 

Vários educadores acreditam que educação inclusiva é uma saída para este problema social. Uma educação inclusiva, educando todos em um mesmo contexto escolar. A opção por este tipo de Educação não significa negar as dificuldades dos estudantes. Pelo contrário. Com a inclusão, as diferenças não são vistas como problemas, mas como diversidade. 

Podemos considerar a educação inclusiva em dois âmbitos das relações sociais. O aluno ”padrão” relacionando com o aluno especial permitindo que ambos conheçam suas capacidades e dificuldades. Respeitando suas diversidades. Um aluno que participa de uma escola inclusiva será um colaborador, um líder de equipe que sabe conviver com as diversidades e aceitar a inclusão do deficiente no mercado de trabalho. A inclusão do deficiente intelectual no mercado de trabalho se iniciará na inclusão escolar para depois na profissional.

A escola assume assim, papel primordial nesse processo, extrapolando o compromisso com a aprendizagem dos estudantes, assumindo uma responsabilidade social da inclusão.

*Neuropsicologo, professor de psicologia da faculdade Promove

 

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