Empreender e compartilhar

Opinião / 05/06/2019 - 06h00

Cláudia Lustosa
 

Sou formada em Administração e, recentemente, abri o próprio negócio. Dizer que já sei administrar uma empresa e que já conheço o empreendimento integralmente seria muita pretensão, apesar do título acadêmico. Sem a prática, posso dizer que tenho somente a noção teórica.

Diante disso, o que passou pela minha mente, nos dias que antecederam a inauguração, revelou o medo do desconhecido. Lembrei, então, que um dia fui mãe pela primeira vez. Naquela oportunidade, não pensei em desistir, ainda que soubesse dos desafios da maternidade.

Quando tive a primeira filha fiz cursos sobre os cuidados com o bebê, ouvi conselhos de amigas, li livros sobre amamentação e alimentação. Teoricamente, estava preparada. Chegou o momento de colocar a teoria em prática, e outras variáveis entraram no caminho.

Observando o vivido, posso afirmar que a capacidade para cumprir a minha missão de mãe veio, e vem, da experiência que, por sua vez, exige ensaios, errar e acertar. Errar? Isso mesmo! Parece estranho, mas minha filha sofreu um pouquinho (para não dizer muito!) até que a mãe “entrasse nos eixos”.

 

A comparação serviu para afastar o medo e me dar energias para empreender. Estava disposta a observar e aprender com meus erros e acertos.

Chegou a inauguração. Fiquei ansiosa porque tudo era novo tanto para mim quanto para as funcionárias. Porém, estava consciente de que, assim como eu, elas poderiam errar e eu deveria saber corrigi-las com tato, tolerância e respeito, para que a nova tarefa fosse prazerosa e o ambiente da empresa não sofresse alterações negativas.

O primeiro mês foi riquíssimo. Observando o empenho e a boa vontade das funcionárias, senti enorme gratidão por elas. Afinal, o que seria da empresa sem elas, que colaboram para que o cliente seja bem atendido e receba o melhor produto.

Recebi da contadora a primeira folha de pagamento. Quando me dei conta do salário que as minhas colaboradoras iriam receber fiquei decepcionada. Gostaria de poder oferecer-lhes mais.

Nesse dia, me dei conta de algo que não aprendi na universidade: o melhor que quero para mim devo querer para o meu semelhante. Entendi que querer lucrar é lícito, desde que nesse desejo esteja a vontade de usar esse bem para melhorar a vida dos que colaboram para que o lucro seja realidade.

Mudar o foco do lucro máximo para o lucro compartilhado reforça em mim a necessidade de me tornar mais humana e menos máquina. Será que não é disso que a humanidade precisa?

Administradora, empresária e docente da Fundação Logosófica

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