Esclerodermia compromete órgãos

Opinião / 21/01/2019 - 07h00

A esclerodermia é uma doença reumática que acomete cerca de 150 mil brasileiros. Autoimune e rara, provoca o endurecimento da pele, tornando-a espessa, lisa e sem elasticidade, sendo dois tipos: a forma sistêmica (esclerose sistêmica) e a forma localizada (afeta apenas a pele). A sistêmica afeta a pele e os órgãos internos do organismo e o alerta fica por conta do fato de a causa ainda ser desconhecida.

A doença ocorre quando o sistema imunológico ataca e destrói tecidos saudáveis do corpo por engano. O principal sintoma é o fenômeno de Raynaud, com os dedos das mãos ou dos pés ficando brancos ou arroxeados em reação a baixas temperaturas. A pele fica espessada, com rigidez e endurecimento dos dedos, das mãos e do restante do corpo, podendo aparecer também manchas claras e escuras, dificuldade para engolir (especialmente alimentos sólidos) e outros sintomas, conforme o órgão acometido.

Quando acontece no rosto, é comum parecer que a pele foi esticada com a diminuição dos lábios e da boca e o afilamento do nariz. No caso do aparelho digestivo (esôfago, estômago e intestino), provoca refluxo gastroesofágico e dificuldade para engolir. A principal consequência no pulmão é o aparecimento de fibrose que leva a dispneia progressiva (falta de ar) e é uma manifestação potencialmente grave. Os rins e o coração também podem ser afetados.

As pessoas acometidas nascem com uma predisposição genética e a doença é desencadeada através de estímulos do ambiente, como temperatura baixa, estresse, exposição a produtos químicos e a toxinas resultantes de infecção por vírus e bactérias.

Não existe evidência científica de medidas preventivas para impedir o aparecimento do problema. Entretanto, uma vez feito o diagnóstico, há tratamentos e cuidados gerais para tentar limitar a progressão e melhorar a qualidade de vida. O diagnóstico deve ser feito pelo reumatologista com base em manifestações clínicas apresentadas e exames complementares que não só auxiliam na análise, mas também permitem avaliar o envolvimento dos órgãos internos.

Existe tratamento e as medidas variam conforme o órgão acometido. O procedimento controla a inflamação, alivia os sintomas e retarda a evolução da doença. Em alguns casos, são indicados os medicamentos anti-inflamatórios não esteroides (AINES), corticosteroides e imunossupressores para diminuir ou manter a atividade do sistema imunológico, como o metotrexato.

O problema é mais comum em mulheres entre 40 e 50 anos e pode se tornar grave, especialmente devido ao acometimento de órgãos como rins e pulmões. O conhecimento precoce da doença e de suas possíveis complicações proporcionam uma melhoria no tratamento e na abordagem, evitando a evolução.

A doença não tem cura, sendo de característica crônica como a hipertensão arterial e o diabetes. O acompanhamento com o reumatologista permite controlar a condição e manter a qualidade de vida.

Maria Fernanda Guimarães
Membro da Sociedade Mineira de Reumatologia

 

 

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