Estratégia de abastecimento

Opinião / 06/12/2018 - 07h00

Nelson Ferreira Filho e 
Maria De Carvalho Santini*

Com o rápido desenvolvimento do mercado global, o setor de compras também teve que evoluir para acompanhar o dinamismo da indústria. A fim de manter a competitividade ao redor do mundo, empresas buscam soluções de melhoria contínua e principalmente de redução de custos mantendo o padrão de qualidade. Logo, o setor de compras deixa de ser responsável apenas por fazer a aquisição da matéria-prima requisitada pela engenharia nos projetos e passa a exercer importante papel estratégico em negociações de suprimento. 

O departamento denominado Sourcing (Abastecimento) Estratégico visa desenvolver projetos a fim de otimizar financeiramente e logisticamente o processo de comprar. Buscar fornecedores nos mercados aptos à qualificação, conforme políticas e visão da empresa requisitante, que possuam lead time (tempo de espera) favoráveis e quantidade mínima de compra de determinado item flexível, de acordo com a demanda, também faz parte da negociação estratégica.

Para que a indústria possa focar em no principal objetivo, que é a produção, Sourcing também desenvolve projetos de terceirização logística que, quando exercida pela própria fábrica, exige considerável investimento em tempo e mão de obra. Uma das diversas estratégias que podem ser desenvolvidas pelo setor é a negociação com um operador logístico. Dependendo do produto final comercializado pela fábrica, projeto exige, ou até mesmo viabiliza pela discrepância presente no custo unitário, a importação da matéria-prima. No entanto, a importação implica outros fatores, como aumento de lead time e custos envolvidos no despacho aduaneiro. 

As vantagens da contratação de um operador logístico, dentre outras, são localizar a compra de determinados itens, eliminando a necessidade de qualificação de diversos fabricantes de matéria-prima; centralizar esforços na produção, enquanto a logística é gerenciada pelo especialista terceirizado; negociar a compra do volume anual de matéria-prima mantendo estoque no operador logístico, sem inflar o estoque da fábrica e sem comprometer o suprimento com altos lead times; e até mesmo transferir o abastecimento da linha de produção para o próprio operador logístico, que mantém o controle de estoque. 

Estratégias devem ser estudadas e avaliadas por meio de business case, analisando quais benefícios e quais complicações o projeto em desenvolvimento pode acarretar antes de tomar a decisão, seja de transferência, localização, alteração etc. Em busca de redução de custos e otimização do processo produtivo, o setor de Sourcing Estratégico pode aumentar a competitividade das empresas aderentes ao investimento na negociação estratégica e consequentemente aumentar a lucratividade.

(*)Nelson Ferreira Filho é doutor em engenharia de produção, coordenador e professor do curso de engenharia de produção das Faculdades Kennedy de Belo Horizonte 
(*)Clara Maria de Carvalho Santini é acadêmica e participante de iniciação científica do curso de engenharia de produção das Faculdades Kennedy de Belo Horizonte.

 

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