Exemplos de mineiros de ação

Opinião / 17/12/2019 - 06h00

Aristóteles Drummond

Minas Gerais tem forte presença na história da liberdade e da prosperidade do Brasil, pelos movimentos cívicos em que a Inconfidência é a maior referência. E ainda pela riqueza proporcionada, ontem, pelo ouro e, hoje, pela mineração e siderurgia de ponta, agricultura robusta e indústria moderna. Mas é oportuno lembrar que esse progresso dependeu, e muito, da coragem e do dinamismo de alguns homens públicos notáveis, que tomaram as decisões certas, por vezes, ousadas, nos momentos certos.

A mudança da capital para Belo Horizonte, por exemplo, foi uma luta, uma vez que a população da então capital, Ouro Preto, a condenava com veemência e outras cidades disputavam sediar a administração estadual. Foi quando se definiu o local onde se construiu a moderna BH, em projeto encaminhado e aprovado por Augusto de Lima, com a construção em ritmo inédito por Bias Fortes. Imagine Minas com a capital em Ouro Preto hoje.

Depois, a primeira reforma importante do ensino, com a criação de escolas de alto nível, veio a se dar no governo do estadista Antônio Carlos Ribeiro de Andrada.  Getulio Vargas soube prestigiar o governador Benedito Valadares, que impulsionou a agricultura e a metalurgia, criando a Vale, e a construção do Grande Hotel de Araxá, que chamou a atenção para a região e seu potencial, ligada à capital pela estrada Uberaba-BH. Também criou a Cidade Industrial em Contagem, entre outros feitos.

Depois foi com JK, prefeito e governador, que deu à capital empreendimentos como a Pampulha, a exemplar Cemig, além de trazer a Mannesmann, siderúrgica cuja inauguração foi o último ato público de Getulio Vargas, e a Usiminas.

A seguir, Magalhães Pinto, que modernizou a administração, construiu o Mineirão, que leva seu nome e, portanto, não deve ser esquecido. Outro estadista notável foi Israel Pinheiro, o homem que desenhou o progresso mineiro até nossos dias, criando o BDMG, a Fundação João Pinheiro e os distritos industriais, abrindo caminho para a gestão de Rondon Pacheco, cujo ponto alto foi a Fiat, que trouxe tanto progresso.

Não se podem negar as notáveis realizações de Hélio Garcia e Aécio Neves, que consolidaram Minas como segunda unidade da federação, com economia competitiva, moderna e dotada de infraestrutura acima da média nacional.

O que fica dos governantes são as obras, as reformas institucionais e não apenas boas e corretas intenções. Governar é uma arte, exige talento, sensibilidade e objetividade. Não se deixa para amanhã o que pode ser feito hoje.

 Não se tapa o sol com a peneira!

Jornalista e escritor

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