Febre amarela: Por que eu devo me vacinar?

Opinião / 09/04/2019 - 19h07

Atualmente, com a chegada do verão, vivemos sob risco das infecções virais transmitidas por mosquitos. Dessa vez, contrariando as expectativas, não é Dengue, não é Zika, muito menos Chikungunya. O que tem assombrado a população é a Febre Amarela, cuja transmissão urbana já não se tem registro há muitas décadas no país. Outro ponto importante é a vacina contra a Febre Amarela disponibilizada gratuitamente nos postos de saúde. Talvez, por ter sua transmissão urbana controlada há tantas décadas, a população tenha negligenciado a vacinação.

Desde o século XVII, quando estudos apontaram a eficiência da vacinação para a imunização contra infecções, o histórico tem sido de resistência. Muitos boatos têm emergido acerca da vacina contra a Febre Amarela, que teve sua dose fracionada em virtude da grande procura. Contudo, uma queda considerável na procura ocorreu recentemente. A apreensão inicial com a doença parece ter sido substituída pelo temor de reações adversas à vacina. 

A vacinação é extremamente segura, o risco maior fica por conta da não vacinação. A Febre Amarela não tem tratamento e cerca de 10% dos infectados têm alterações hepáticas graves, podendo evoluir ao óbito em até 14 dias. A única forma de evitar a infecção é a vacina, que se mostra extremamente segura e eficiente. Os efeitos neurológicos ou sintomas leves da doença em decorrência da vacina ocorrem na proporção de 1 a cada 400 mil pessoas vacinadas.

Existem rumores sendo espalhados maciçamente, em virtude da velocidade das mídias sociais, que mutações genéticas foram encontradas no vírus e que isso esteja impactando a eficácia da vacina. Porém, a Fundação Oswaldo Cruz comunicou que essas alterações genéticas no vírus da Febre Amarela de nada interferem com a eficácia da vacina e que esta continua ser extremamente segura.

A proteção oferecida atinge quase 98% dos vacinados. Como qualquer vacina, uma pequena porção de pessoas pode não desenvolver anticorpos que imunizam contra o vírus e que podem ser infectadas. Em Minas Gerais, apenas 11 pessoas dos 16 milhões que são vacinados desenvolveram a doença. Vale ressaltar que esse índice é praticamente zero e muito menor do que o aceito pela Organização Mundial de Saúde. 

A vacina só é contraindicada em pessoas que estão imunossuprimidas, como é o caso quem tem HIV, pessoas em tratamento contra o câncer, gestantes e pessoas com alergia à proteína do ovo. O fracionamento da vacina não traz prejuízo a sua eficácia, ela apenas protege por um tempo menor (cerca de 8 anos). Portanto, se você não tem as contraindicações citadas acima, o melhor que você pode fazer é se vacinar. O maior risco é não estar protegido. E procure informações seguras nos órgãos competentes como a Fiocruz, o Ministério da Saúde e a OMS. 

Autores: Professora Nayara Ingrid de Medeiros, mestre em Biologia Celular e Doutora em Ciências da Saúde, docente Curso de Bacharelado em Enfermagem da Faculdade Kennedy-BH.
Profa. Aichele Teixeira Lis – Mestra em Educação, Gestão Social e Desenvolvimento Local, professora do Curso de Bacharelado em Enfermagem da Faculdade Kennedy-BH.
Profa. Débora Cristine Gomes Pinto – Mestra em Ciências da Saúde, coordenadora e professora Curso de Bacharelado em Enfermagem da Faculdades Kennedy-BH.
Prof. Yaro Lucíolo dos Santos - Mestre em Microbiologia, Doutor em Bioquímica e Pós-Doutor em Biologia Celular e Estrutural, professor do Curso de Bacharelado em Enfermagem da Faculdade Kennedy-BH.

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