Freud e o desafio do porco espinho

Opinião / 15/01/2019 - 07h00

Mauro Condé*

Acabo de voltar de uma viagem rumo ao conhecimento, usando como meio de transporte excelentes livros sobre psicologia. Eles me levaram a Viena, na Áustria de 1936, onde fui recebido por Freud, a quem fui logo pedindo:

– Ensina-me algo que eu ainda não saiba e tenha o poder de mudar a minha vida para melhor.

– Conhece-te a ti mesmo! 

Esse foi o conselho que ele me deu, inspirado em palavras gravadas há milênios no templo de Delfos. Esse conselho representa o início da sabedoria e nele está contido a esperança da vitória sobre o mais antigo dos inimigos do homem, a vaidade.

Freud revolucionou a maneira do ser humano ver a si mesmo, se dedicando durante anos ao estudo da psique(alma) humana. Ele descobriu que as ações e os desejos humanos não são frutos da vontade, mas sim de forças ocultas e inconscientes que guiam de forma descontrolada as pessoas. Então mergulhou no estudo do inconsciente com o intuito de nos ajudar na busca da redução do sofrimento ou da proporção de momentos de felicidade e prazer.

Freud nomeou as doenças da mente como seus respeitáveis adversários, com boas razões para existir. Criou a psicanálise como meio de acessar o inconsciente e vencer esses inimigos. Suas descobertas e avanços se deram por etapas:

Primeiro ele usou a hipnose. Depois, criou um novo método de conversa, onde um fala (o paciente) e o outro escuta (o terapeuta). Desenvolveu teorias a respeito da influência da sexualidade nos impulsos e desejos. Mais tarde, estimulado por um drama pessoal, ocorrido no dia da morte de seu pai, criou um impactante método para a interpretação dos sonhos. Queria criar um mecanismo que pudesse defender a mente de lembranças intoleráveis assim como as glândulas linfáticas protegem o corpo contra as infecções.

Esse aprendizado me fez lembrar do desafio do porco espinho no inverno. Isolado e sentindo frio, se encosta nos outros porcos espinhos e eles se espetam, se machucam e se afastam. Voltam a sentir frio e a se encostar novamente até acharem o ajuste ideal para a distância e a proximidade do outro. Que possamos usar o autoconhecimento sugerido por Freud para viver cada vez melhor dentro da gente mesmo e ajustar a forma de nos aproximarmos dos outros sem nos espetar.

(*)Palestrante, Consultor e Fundador do Blog do Maluco.

 

 

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