Gastronomia e Educação em BH

Opinião / 10/10/2019 - 06h00

Frederico Divino, Jackson Cruz Cabral e Natália de Carvalho Teixeira

Definida na Grécia Antiga como ‘regras ou normas do comer’, o termo gastronomia pode ser entendido com definições distintas e variáveis. Relacionadas basicamente ao alimento ou ao ato de comer, a culinária e a gastronomia são vistas como um emaranhado de relações sociais, culturais e econômicas, que permeiam variadas interações dos sujeitos com alimentos e produções e, até mesmo, com cunho científico.

Em um país constituído por ampla diversidade cultural, reconhecido por seus espaços e possibilidades de experiências sensoriais e simbólicas, voltado para a oferta de serviços diferenciados, a formação de profissionais qualificados torna-se, portanto, exigência básica na área. Considerando o crescimento da gastronomia no território nacional, é interessante olharmos com atenção para a formação que vem sendo ofertada aos nossos futuros cozinheiros e, quem sabe, chefes de cozinha.

O Ministério da Educação, responsável pelos processos educativos do país, regulamenta o curso superior de Tecnologia em Gastronomia e prevê alguns detalhes mínimos para esse processo, porém, seria interessante olharmos até que ponto essa formação está realmente qualificando os alunos apenas como profissionais para a área ou como profissionais e cidadãos para a sociedade.

A formação universitária desses trabalhadores deveria atuar na formação integral dos alunos e não apenas no aprimoramento e/ou desenvolvimento de suas aptidões culinárias. No ensino superior, inicia-se o processo de acesso às informações novas e diferenciadas, as quais darão aos alunos novos ideais, desenvolvimento do pensamento crítico e geração de conhecimento.

Em Belo Horizonte, existem, atualmente, seis faculdades oferecendo esse curso e, se navegarmos em seus sites, podemos classificar os nomes das disciplinas ofertadas em competências que serão desenvolvidas nos alunos ao longo de sua formação. Fazendo isso, podemos traçar um perfil do futuro profissional e avaliar como ele está sendo formado hoje.

O que se encontra, no entanto, não é um cenário muito animador. Os atuais processos formativos qualificam trabalhadores mais técnicos e gestores. Conceitos humanistas e éticos têm sido deixados de lado, assim como é omitido no perfil do curso regulamentado pelo próprio MEC. O processo educativo, que deveria ter uma potencialidade libertária para os trabalhadores, nesse caso, não estaria atuando de forma tão eficaz nessa vertente, mas, sim, apenas seguindo os padrões do mercado.

Cabe, portanto, aos educadores encontrarem formas para romper com essa formação extremamente técnica, que apenas visa formar mão de obra para uma resposta imediata ao mercado de trabalho capitalista. Deve-se pensar numa formação que trabalhe o lado humano dos alunos e que forme cozinheiros e chefes como cidadãos integrais e críticos.

Mestre em Educação e doutorando em Gestão do Conhecimento, professor no curso de Gastronomia das Faculdades Promove de BH; mestre em Administração, professor e coordenador do curso de Tecnologia em Gastronomia das Faculdades Promove de BH e nutricionista, mestre e doutora em Ciência de Alimentos, professora do curso de Gastronomia das Faculdades Promove de BH e coordenadora do curso de Nutrição das Faculdades Kennedy, respectivamente

 

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