Grandes empreiteiras do país

Opinião / 27/12/2014 - 15h11
As maiores empresas de engenharia do Brasil entraram na mira do Ministério Público e do Judiciário, nos escândalos em que estão envolvidas, como vítimas da maior operação de extorsão já montada no país.
 
É preciso muito cuidado para que os processos não venham a confundir autores com vítimas, abrindo caminho à impunidade.
 
Quem conhece a história recente sabe que as empresas foram obrigadas a um comportamento de cumplicidade com a corrupção, como meio de sobrevivência. Ninguém sai distribuindo bilhões, correndo riscos, por iniciativa própria.
 
Não podem nem devem ser colocados em grau de igualdade, senão por mera inspiração de caráter ideológico.
 
Boa parte da população ignora que nossas empresas estão trabalhando em dezenas de países, inclusive mercados disputados como o dos Estados Unidos e da Europa.
 
E que estas organizações, na sua maioria, foram fundadas por homens que prestaram grandes serviços ao desenvolvimento nacional e o que existe de infraestrutura de energia e transportes devemos muito a estes empreendedores.
 
Para ficar apenas nos principais, cabe lembrar o pioneirismo e o arrojo de Roberto Andrade, fundador da Andrade Gutierrez, José Mendes Júnior, da Mendes Junior, Norberto Odebrecht, do grupo que leva seu nome, Sebastião Camargo, da Camargo Corrêa, e outros que as empresas foram sendo incorporadas, como Oscar Americano, que executou algumas das mais importantes obras de São Paulo nos anos de crescimento com Adhemar e Maluf.
 
E Marco Paulo Rabello, o maior entre os que ajudaram JK a construir Brasília.
 
Todos os brasileiros conhecem obras gigantescas, como a binacional Itaipu, Tucuruí, usinas nucleares, Ponte Presidente Costa e Silva, feitas por estas empresas e sem nenhuma suspeição. Os tempos eram outros
 
Desviar a atenção para o saneamento das relações do poder público com os grandes fornecedores e prestadores de serviços passa, sim, por uma ação contra os agentes públicos envolvidos, seus mentores e beneficiários, sob o ponto de vista criminal e fiscal, e por se criar uma legislação que torne as empresas efetivamente transparentes.
 
A origem do caso Petrobras está na alteração feita no governo FHC dando ampla liberdade de gestão à empresa. E nada teria acontecido se alguns projetos fossem privados e não estatais, como a refinaria Abreu e Lima. Abriram a porteira e deu no que deu.
 
Ainda no caso Petrobras, os desdobramentos serão de muita gravidade considerando que por ter ações negociadas no EUA, está subordinada a rigorosa Lei – Sarbanes – Oxley. Os reflexos nos papéis de empresas brasileiras são fortes. Ninguém vai conseguir lançar ações ou papéis de renda fixa e a fuga de capitais vai aumentar.
 
E claro que a operação “Lava Jato” cuida de quem pagou, quem arrecadou e ficou com uma parte. Mas dos beneficiários maiores nada se sabe ainda.
 
É preciso ir ao fundo de cada depósito feito via Youssef, seja deste caso ou de outro qualquer. O que aconteceu com o Banestado não pode se repetir.
 
A Receita tem de passar um pente fino dos carros de alto luxo, embarcações e até para os que pagam, sem discutir, multas nos aeroportos em função de artigos femininos de grife superiores a dez mil dólares, para uma cota de quinhentos. Basta querer!
 
Todo cuidado será pouco, para que não se chegue à conclusão de que foram os empresários que propuseram superfaturar e distribuir dinheiro aos poderosos!
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