Gravidez e adolescência

Opinião / 05/02/2021 - 06h00

Agnaldo Lopes*

 gravidez na adolescência é um grande problema de saúde pública brasileira e no mundo. Quanto mais pobre o país, mais jovens são as gestantes. Por causa da pandemia, a procura de adolescentes pelos serviços básicos de saúde diminuiu, alertando especialistas para um possível aumento de casos. Anualmente, cerca de 18% dos brasileiros nascidos são filhos de mães adolescentes. Em números absolutos, a situação representa mais de 400 mil casos por ano, segundo dados da Organização Pan-Americana da Saúde e da Organização Mundial de Saúde (OPAS/OMS). A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) faz um alerta durante a “Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência” para que políticas públicas sejam adotadas, visando reduzir a incidência nacional.

A estimativa é que 66% das gravidezes de adolescentes não são planejadas e a metade dos casos resulta em aborto, sendo muitos deles feitos sem segurança. Ao engravidar sem planejamento, as jovens que pretendiam priorizar os estudos e a carreira veem o sonho interrompido temporariamente ou para sempre. 

Quando o assunto é saúde, quem tem entre 15 e 19 anos, apresenta mais risco de complicações na gestação, se comparadas a mulheres acima de 20 anos. Os principais problemas são anemia, pré-eclâmpsia e eclâmpsia, diabetes gestacional, parto prematuro e/ou distócicos, elevadas taxas de morbimortalidade materna e fetal, traumas físicos e/ou psicológicos. A maioria dessas jovens faz o pré-natal de forma inadequada, não interrompendo o tabagismo ou o consumo de bebidas alcoólicas, por exemplo. As crianças de mães adolescentes, geralmente, nascem com baixo peso, correm risco de prematuridade e outras repercussões.

Para se evitar uma gravidez não planejada, a contracepção é o principal método, variando conforme a composição hormonal, dosagem, posologia e efeitos. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece cerca de oito tipos de contraceptivos, entre os quais o Dispositivo Intrauterino de cobre (DIU de cobre), a camisinha masculina e feminina, e o anticoncepcional injetável ou pílula. O problema é que muitas jovens usam o contraceptivo de forma inadequada, aumentando a chance de gravidez, por causa da alta taxa de fecundidade.

Entre as propostas da Febrasgo estão a garantia de fornecimento de métodos contraceptivos gratuitos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), incluindo os LARCs; promover a interface com as Secretarias de Educação, Saúde, Cultura e Esporte e poder público, executivo e legislativo, buscando ações para medidas legislativas; estabelecer linha de cuidado nas UBS e nas unidades de Programa da Família, sensibilizando e capacitando os profissionais de saúde; e medidas preventivas e educativas de conscientização dos jovens, criando espaços para atendimento em locais de vulnerabilidade.

Manter a população informada e viabilizar o acesso aos melhores meios contraceptivos são formas de garantir às brasileiras o direito de planejar sobre o melhor momento de terem um filho, proporcionando uma gestação saudável e uma melhor qualidade de vida para o bebê.

* Presidente da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo)

 

 

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