Hilton Rocha: uma chance à vida

Opinião / 21/12/2016 - 06h00

Roberto Porto Fonseca*

Exerço a medicina há 43 anos e nunca imaginei que a compra por leilão público do prédio do antigo hospital Hilton Rocha fosse gerar tantos empecilhos à Oncomed-BH, instituição da qual me orgulho de fazer parte. Já são sete anos de muito trabalho investido em projetos, estudos de biodiversidade, aprovações junto a órgãos públicos, atendimento a condicionantes e uma luta na Justiça.

Nossa intenção é reformar o prédio que agora encontra-se abandonado para oferecer à população um centro de referência em tratamento de câncer. Isso significa diminuição na carência de leitos hospitalares e qualidade de vida para pacientes e seus familiares durante o tratamento. 

A Oncomed-BH entregou o projeto a um dos maiores especialistas em patrimônio histórico deste país e pretende executar a obra respeitando todas as legislações pertinentes. Entre as etapas que já cumprimos estão a liberação do Iphan e do Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município de Belo Horizonte, além do certificado de Licença Ambiental, Alvará de Construção pela Secretaria Municipal Adjunta de Regulação Urbana e licença para início das obras pelo Conselho Municipal do Meio Ambiente. 

Foi com muita tristeza e indignação que nós da Oncomed-BH recebemos, em outubro de 2016, a liminar que impede a reforma do antigo Hilton Rocha, pelo fato de a Serra do Curral ser patrimônio paisagístico tombado. A Oncomed-BH jamais atentaria contra um patrimônio tão caro à nossa cidade. O que vamos fazer é reformar uma construção já existente.

Por isso, deixo aqui um convite aos moradores do bairro Mangabeiras e a toda a população de BH: o hospital Hilton Rocha ocupa uma área equivalente a 0,2% do espaço da Serra do Curral. Área que já é ocupada pela construção e que vai ser destinada a salvar vidas. Vamos, então, todos nos unir e lutar pela preservação de toda a área ainda não construída desta serra? Sim, meio ambiente e saúde são complementares. E eu não tenho a menor dúvida de que, juntos, somos capazes de preservar milhares de vidas não só da nossa geração, mas também das que virão.

(*) Médico oncologista, Presidente do Conselho Superior da Sociedade Brasileira de Cancerologia e diretor da Oncomed-BH

 

 

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