Hora de transformações para a economia agrícola

Opinião / 04/05/2016 - 06h00

Zé Silva (*)

Mostrando sua capacidade de resistência, força e potencialidades, a economia agrícola brasileira aponta para novo recorde de produção. Para o Brasil, as expectativas para esta safra 2015/16 são de 209 milhões de toneladas de grãos, um crescimento de 0,6% em relação à safra anterior. Para Minas, são ainda melhores, com uma produção que deve chegar a 13,13 milhões de toneladas de grãos, um aumento de 11,2% em relação ao ano anterior. Portanto, uma performance de Minas bastante acima da alcançada pelo Brasil. 

E tudo isso num ambiente de forte crise econômica, retração de investimentos na infraestrutura para a produção rural, como estradas, armazenagens, logísticas e as já históricas dificuldades de acesso ao crédito para o setor. São situações estruturais que atingem a agricultura brasileira em todos seus níveis, comprometendo sua qualidade e rentabilidade. 

Seja a produção em larga escala ou a produção da agricultura familiar, todos enfrentam, por exemplo, condições adversas de transportes que levam ao desperdício e ao encarecimento dos produtos, a precariedade de logística e armazenagem, que colocam os produtores em posição vulnerável no mercado e, enfim, situações que resultam no final em produtos mais escassos e mais caros para todos os consumidores.

E não por último nesse quadro de adversidades, temos a renitente incapacidade de planejamento e gestão, sobretudo por parte do governo federal, constituindo-se num desafio e obstáculos nos processos da produção agrícola. Vejamos um exemplo revelador dessa precariedade de planejamento, dado com o programa de reformas, construção e ampliação da rede de armazéns da Conab – Companhia Nacional de Abastecimento. 

Lançado com pompa e circunstância no Plano Safra 2013/14, com previsão inicial de reestruturação e construção de 90 armazéns até o fim de 2015, e com investimentos de R$ 500 milhões no total. Pois bem, nada disso saiu do papel. Aliás, a intenção agora, conforme informações da Conab, é deixar de lado esse programa. Enquanto isso, todos os produtores, em seus diversos segmentos, como cafeicultores familiares mineiros, ficam à mercê das variações do mercado, sem a alternativa de armazenar seus produtos até se estabelecer melhores condições para a sua comercialização. 

Mas estão aí esses recordes de produção agrícola, em Minas e no Brasil, mostrando mais uma vez a força da atividade rural e seu papel para o desenvolvimento da nossa economia e a melhoria das condições sociais. Produção que significa geração de empregos no campo e cidades, oportunidades de negócio, geração de renda e garantia de segurança alimentar para todos os brasileiros. Nesse momento, de aprofundamento da democracia, de transformações políticas para a superação de desafios para o nosso desenvolvimento sustentável, é hora de se voltar determinadamente para a construção de novas bases e infraestruturas para a economia agrícola, sobretudo para a agricultura familiar. Milhões de agricultores e suas famílias estão mobilizados no meio rural, e na expectativa de que essas mudanças alcancem, dessa vez, também os fundamentos de sua economia e de suas condições sociais. 

(*) Agrônomo, extensionista rural, deputado federal pelo Solidariedade/MG.

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