Hora do check-up

Opinião / 06/02/2021 - 06h00

Luís Augusto Lindemberg Baltazar*

O Brasil tem cerca de 211,8 milhões de pessoas, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em julho deste ano, sendo que 70,6 milhões delas não fazem check-up anualmente. O resultado foi apontado por uma pesquisa do Ministério da Saúde, em 2018, revelando que um em cada três brasileiros não tem o hábito de ir ao médico regularmente.

O check-up é uma das ações mais eficazes para prevenção e identificação precoce de doenças, garantindo diagnóstico adequado e tratamento com melhores chances de cura. Os exames possibilitam, ainda, a análise de fatores de risco para a saúde, bem como informar orientações pertinentes à mudanças no estilo de vida que, na verdade, é considerada a forma mais eficaz de prevenção de doenças, apresentando impacto maior que as medidas farmacológicas.

A periodicidade dos exames é programada individualmente e de acordo com o risco clínico individual. Geralmente, antes dos 40 anos, a necessidade do check-up depende dos fatores de risco encontrados. Após essa idade, a avaliação deve ser realizada anualmente para melhor controle das enfermidades.

Apesar de os exames para check-up ocorrerem individualmente, considerando o gênero, faixa etária e características, alguns deles são fundamentais para uma investigação eficaz de doenças precoces ou pré-existentes, como os laboratoriais – sangue, urina e fezes – e os complementares - como raio-x de tórax, ultrassonografia de abdômen, teste ergométrico e endoscopia digestiva, entre outros.

As principais doenças identificadas precocemente são as cardiovasculares, principalmente, a hipertensão arterial sistêmica, a aterosclerose, a dislipidemia e o diabetes.

Além dos exames comuns a qualquer gênero e idade, aos homens com mais de 40 anos é recomendado o exame de próstata. Já, às mulheres, é imprescindível o controle ginecológico anual, a partir do início da atividade sexual, bem como a mamografia. O rastreio do câncer de intestino é indicado para todos, a partir dos 45 anos. Em caso de sintomas ou fatores de risco, como história familiar de doenças oncológicas, as recomendações de idade são redefinidas.

É importante lembrar que uma segunda onda da pandemia da Covid-19 é iminente. Apesar dos benefícios do check-up ainda não possuírem embasamento científico para esclarecer, com garantia, que os exames reduzem os riscos de agravamento em caso de acometimento pelo novo coronavírus, observa-se que, na prática, as pessoas em melhores condições de saúde evoluem de forma mais favorável, quando acometidas pela patologia.

O check-up promove orientação e tratamento mais eficientes, contribuindo para a melhoria da condição de saúde, ajudando em uma resposta imunológica melhor, não só para a Covid-19, mas para todas as infecções.

Em decorrência dos níveis baixíssimos da percepção da importância da avaliação médica por uma grande parte da população, a recomendação é sempre manter os exames atualizados como um dos fatores principais para se manter o bem-estar e, principalmente, salvar vidas.

*Cardiologista do Hospital Madre Teresa

 

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