Inclusão de alunos com autismo

Opinião / 08/11/2019 - 06h00

Ângela Mathylde

Muitas pessoas se enganam ao classificar pessoas autistas como “esquisitas”, “deslocadas” ou “antissociais”. Diversas personalidades mundiais são autistas, como a ativista sueca Greta Thunberg. A verdade é que centenas de pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) enfrentam as mais variadas dificuldades ao longo da vida, como preconceito, bullying e desinformação. Infelizmente, os problemas começam em um ambiente decisivo para a formação: a escola.

O número de alunos com transtorno do espectro autista (TEA) matriculados em classes comuns no Brasil aumentou 37,27% em um ano, conforme dados do Censo Escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Em 2017, 77.102 estudantes com autismo estudavam na mesma sala que pessoas sem deficiência e, em 2018, esse índice subiu para 105.842 crianças e adolescentes.

Dezenas de escolas ainda não estão preparadas para lidar com alunos autistas, em decorrência da ausência de capacitação de professores e educadores. Há ainda a questão do bullying, que, apesar de muito trabalhada nas salas de aula, segue como um fator complicador. Os alunos especiais são taxados como estranhos e não há uma discussão ampla sobre o autismo, focada na conscientização dos colegas e da população em geral sobre a necessidade de respeito e compreensão das limitações sociais decorrentes do autismo.

O TEA é um problema psiquiátrico, sendo identificado na infância, em geral, entre 1 ano e meio e 3 anos, afetando a comunicação, a capacidade de aprendizado e a adaptação. Alguns dos sinais são apatia, inquietação exacerbada, pouca vontade para falar e surdez aparente, com a criança não atendendo aos chamados, e ansiedade.

O primeiro passo para garantir a inclusão escolar é investir em capacitação profissional. A criança com autismo precisa ser acolhida e compreendida, com educadores entendendo suas necessidades e respeitando as características comportamentais, auxiliando e incentivando quando for preciso. Outro fator de extrema importância é auxiliar na socialização com os colegas, explicando, de forma apropriada e de acordo com a idade, o que é o autismo, incentivando sempre o respeito ao colega com o transtorno. Aos poucos, será possível a adaptação ao ambiente escolar, descobrindo preferências e convivendo adequadamente com os colegas.

Uma outra questão fundamental para assegurar o bem-estar é a comunicação entre a escola e os familiares. Os pais poderão esclarecer possíveis dúvidas dos professores, para elaboração de um plano de educação eficaz. A transparência na relação escola-família permite aos educadores se comunicarem melhor com os pais sobre qualquer dificuldade ou problema.

O transtorno do espectro autista e suas implicações na vida escolar e no desenvolvimento infantil são temas que serão debatidos no Congresso Internacional Brain Connection, em Belo Horizonte, de 21 a 23 de novembro. As inscrições estão abertas em www.brainconnectionbrasil.com. 

Psicopedagoga e organizadora do Brain Connection 2019

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