João Doria e Aécio Neves

Opinião / 23/02/2021 - 06h00

Aristóteles Drummond*

O governador João Doria anda exagerando na busca de um lugar na mídia, mesmo que aparecendo de maneira falsa, desconfortável para um homem público, que deveria se ocupar mais de sua missão de governador do que ficar brigando com todo mundo, em função de suas desmedidas ambições políticas.

Agora vem de agredir o deputado Aécio Neves, fundador do PSDB, que fez da bancada mineira a maior do partido. Eleito e reeleito governador, fez seu sucessor, elegeu-se senador e disputou a Presidência da República em memorável pleito. Muito jovem presidiu a Câmara dos Deputados com reconhecimento nacional. Mas a inveja e a covardia tentam demonizar o político mineiro.

O deputado teve um momento infeliz, numa conversa privada criminosamente gravada, pela qual pediu desculpas, com a humildade que o caracteriza, e já fora do Poder Executivo. Nunca se deixou deslumbrar pelo poder, foi conciliador e vem amargando campanha caluniosa sem nenhum amparo real. São declarações de credibilidade duvidosa, que costumam procurar atingir governantes com grande acervo de obras. Minas já sofreu com a violência da UDN em relação a JK, que o tempo e a vida que levou mostraram a dimensão da leviandade das acusações. D. Sarah teve de vender os quadros que possuía e as filhas tiveram vida de classe média. O que não é o caso de Aécio que todos sabem ter mãe rica e, portanto não ter preocupações de natureza material.

As pessoas bem formadas, sem deformações de caráter, lutam pela moralidade com o cuidado de não compactuar com a imoralidade das acusações caluniosas, originadas em ressentimentos de pessoas menores. Para estes, é duro conviver com o acervo de obras de Aécio, com o prestígio nacional que granjeou e a elegância e correção com que fez sua campanha para o mandato que exerce. Fez questão de não prejudicar companheiros de partido, planejou uma campanha justamente no sentido de não ter muitos votos que poderiam ser decisivos para companheiros. E está exercendo mandato com a moderação que herdou do pai e dos dois avós, todos com passagem positiva pelo Congresso. Prova de seus critérios na vida pública foi o destaque dado em seu governo, a eleição para o Senado e para sua sucessão, com um homem público digno como o senador Antonio Anastasia.

O governador João Doria, filho de deputado, entretanto, só entrou para a política recentemente, elegendo-se no vazio que marca a política nacional nos últimos anos. Mas o foi pela legenda e, na eleição de governador, agarrado ostensivamente ao presidente Bolsonaro, sem o menor constrangimento de abandonar à própria sorte o candidato do PSDB, justamente um ex-governador do seu Estado. Achando que lhe seria conveniente romper com o Presidente, o fez com grande barulho.

Não fica bem esse papel de hostilizar seu companheiro de partido, mais antigo e com mais história do que ele. E mais: essas demonstrações de agressividade não colaboram para suas ambições, já que estas passam por fazer um mandato com as mesmas marcas de realizações e bom convívio que levaram Aécio à candidatura presidencial. O PSDB nacional já agiu para conter a ambição desvairada do governador de SP. Foi o que colheu da inusitada agressão ao deputado mineiro.

O ex-governador de Minas não teve nenhuma condenação pela Justiça e, ao que se sabe nada de robusto aparece nas delações de que foi alvo.

Prejulgar não é correto. E menos ainda agredir a quem possa estar vivendo um momento de fragilidade, o que nem é o caso, como a reação partidária deixou evidente.

O sr João Doria não será candidato, se for não será eleito e muito menos será votado em Minas Gerais.

Errou muito portanto. 

*Escritor e jornalista
 

 

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