KEFIR: A bebida do bem-estar

Opinião / 09/04/2019 - 19h04

Probióticos estão na moda não é mesmo?! É Kombucha para cá, iogurtes com Lactobacillus pra lá... Mas quando falamos desses microrganismos que conseguem passar por todo o trato digestivo e chegar vivinhos ao nosso intestino, promovendo o equilíbrio da flora intestinal, ainda ouve-se falar pouco do Kefir.

Originado do eslavo keif, que significa bem-estar, esse grão que criou-se das paredes de recipientes que transportavam leite, existem há séculos. Existe a lenda que os caucasianos o receberam de Maomé, que por sua vez recebeu de Alá. No Brasil, sua disseminação ainda é recente, conquistando aos poucos o paladar dos brasileiros.

Compostos por colônias que aparentam pequenos grãos de canjica, e que lembram também a aparência do queijo cottage, com o gosto levemente azedo parecido com iogurte natural, derivado da fermentação lática causada por bactérias e leveduras que vivem em perfeita simbiose, esse produto não pode ser vendido, sendo caracterizados assim por uma produção familiar-artesanal que é transmitida de pessoa por pessoa através da doação da cultura. Para produzir leite fermentado derivado do Kefir então, basta encontrar pessoas que tenham os grãos disponíveis para a doação e então alimenta-los com qualquer leite que tenha a lactose. Há também quem opte por alimenta-lo com água e açúcar mascavo, caracterizando assim o kefir de água.  

Mas vamos o que interessa... Por que consumir o Kefir? Sabe aqueles iogurtes que vemos nas prateleiras com Lactobacillus vivos que causam benefícios?! Eles não chegam aos pés do Kefir, que possui bilhões dos mais variados tipos de Lactobacillus, bifidobacterium e leveduras. Estudos recentes têm mostrado grande eficiência na prevenção da microbiota benéfica do nosso intestino, evitando a proliferação de microrganismos patogênicos e agindo contra diarreias e prisão de ventre. E não é só o intestino não! Há comprovações na queda da pressão arterial, efeitos positivos no colesterol e na glicemia, diminuição da gordura do fígado (auxiliando na perda de peso) e até mesmo na longevidade.  Rico em vitaminas, minerais e aminoácidos essenciais como vitaminas B1, B12, cálcio, ácido fólico, vitamina K e biotina, os benefícios incluem também regulação dos rins e sistema nervoso, tratamento da pele e aumento de energia. Ufa! É ou não é santo alimento?! 

Mas por que não são vendidos?! Sua composição de microrganismos pode variar de uma cultura para outra, tornando assim difícil a sua caracterização para a venda comercial. Mas, em grupos na internet e até mesmo no nosso convívio social, podemos encontrar um cultivador que divida a sua colônia, e depois é só partir para o abraço... Ops, ou melhor, partir para doses diárias de saúde com o seu leite fermentado que pode ser batido com frutas, misturado com mel e até mesmo com a produção de queijos e receitinhas salgadas.

Autores: Profa. Aichele Teixeira Lis – Mestra em Educação, Gestão Social e Desenvolvimento Local, professora do Curso de Bacharelado em Enfermagem da Faculdade Kennedy-BH.
Profa. Carolina Campos Cabrini - Mestra em Tecnologia de Alimentos e Segurança Alimentar, professora do Curso de Bacharelado em Enfermagem da Faculdade Kennedy-BH.
Prof. Yaro Luciolo dos Santos - Mestre em Microbiologia, Doutor em Bioquímica e Pós-Doutor em Biologia Celular e Estrutural, professor do Curso de Bacharelado em Enfermagem da Faculdade Kennedy-BH.

 

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