Lei de Liberdade Econômica ajuda ida para exterior

Opinião / 15/10/2019 - 06h00

Manoel Suhet

A Lei de Liberdade Econômica vai aquecer o movimento de brasileiros que migram para o exterior a fim de abrir ou expandir seus empreendimentos. Existe uma expectativa de melhora do mercado interno no país e isso mexe diretamente com o desejo de quem empreende. Muitos empresários esperam o cenário brasileiro se estabilizar para começar a trazer seu capital para os EUA, em busca de novos horizontes.

A previsão do governo federal com a nova lei é que 3,7 milhões de empregos sejam gerados e que o empreendedorismo seja fomentado, para fazer a economia crescer em 7% nos próximos 10 anos. Neste cenário favorável, o movimento de abrir negócios no exterior deve ser diretamente impactado. Já existe tendência de mais emissões de vistos para investidores, o EB-5, e de processos de imigração emitidos para brasileiros. Se houver uma conjuntura melhor, certamente, isso evolui e existem dados para mostrar essa curva ascendente.

Em 2018, foram emitidos 4.300 vistos de imigração para cidadãos do Brasil, muitos para empreendedores – um aumento de 74% em relação a 2015, quando houve 2.478 vistos concedidos, segundo o Departamento de Estado americano. Também entre 2015 e 2018, o Brasil subiu posições para ficar em sexto no ranking de países com maior número de participantes de programa EB-5. Foram 388 vistos deste tipo emitidos a brasileiros – um aumento de 41,2% em comparação a 2015, de acordo com o Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA (Uscis, na sigla em inglês).

O momento de levar o business principalmente para os EUA, terra que já abriga muitos brasileiros, encontra um cenário político-econômico favorável também. Desde meados de 2018, com a deflagração da guerra comercial entre EUA e China, o mercado de exportações do Brasil tem se beneficiado e crescido como não se via há tempos. Ano passado, a venda de produtos brasileiros no exterior chegou a US$ 239,5 bilhões, melhor resultado dos últimos cinco anos, segundo o Ministério da Economia.

O empreendedor pode surfar nessa onda e suprir in loco esse tipo de demanda, ao levar produtos requisitados para outro país. Conforme estudo da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), produtos como café e sucos do Brasil estão entre os que mais apresentaram aumento de procura nos EUA, desde a década passada. Em 2016, por exemplo, dos US$ 4,9 bilhões de café cru importados pelos norte-americanos, 22% vieram de terras verde-amarelas.

A Apex também identificou potencial no mercado de sucos brasileiros. Conforme levantamento da agência, as marcas brasileiras ainda estão restritas às regiões em que há grande população brasileira, principalmente no Sul dos Estados Unidos. Em determinados segmentos, como suco de laranja concentrado, contudo, os produtos canarinhos representaram mais de 60% desse tipo de importação nos EUA.

Diante desses demonstrativos, os empresários podem encontrar oportunidades de abrir negócios e aproveitar tanto o momento do mercado internacional como as novas facilidades da Lei de Liberdade Econômica para explorar algum segmento. Se houver o devido cuidado nessa internacionalização, as chances de sucesso são grandes e existem bons exemplos.

É sempre importante fazer ressalvas e lembrar que o otimismo exacerbado também pode levar a uma queda. Existem alguns caminhos comuns percorridos por quem patinou nessa mudança.

Não existe uma fórmula certa para algo ir bem, mas são várias as rotas que levam alguém a ter dificuldades. O fundamental é sempre pesquisar e conhecer bem onde você vai pisar.

Empresas brasileiras de sucesso, como a rede de restaurantes Giraffas, Paris6 e Coco Bambu, viveram o american dream e deram com os burros n’água, pelo menos em um primeiro momento. Simplesmente reproduzir o modelo brasileiro em outro país ou fazer negócios pensando no público de sua terra natal, mesmo quando o conceito do business não se liga a essas raízes, são exemplos comuns de enganos.

CEO do Global Business Institute

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