Leia ‘O Defunto’

Opinião / 12/10/2019 - 06h00

Mauro Condé

“Escrever é, tantas vezes, lembrar-se do que nunca existiu”.

Acabo de voltar de uma viagem rumo ao conhecimento, usando como meio de transporte excelentes livros sobre a Literatura da América Latina.

Eles me levaram para o ano de 1972, em Santiago do Chile, onde fui recebido por Pablo Neruda, a quem fui logo pedindo:

Ensina-me algo que eu ainda não saiba e tenha o poder de mudar a minha vida para melhor.

Pablo Neruda ganhou o Prêmio Nobel de Literatura, salvou dois mil refugiados, passou três anos em exílio político e concorreu à Presidência do Chile.

Ele nasceu Ricardo Eliezer Netfali Reyes Basoalto, em uma pequena vila chilena, no ano de 1904.

Seu pai não queria um filho poeta, então, aos 16 anos, ele começou a escrever sob o pseudônimo de Pablo Neruda, cujo sobrenome foi inspirado em Jan Neruda, o grande poeta da liberdade tcheca.

Entre os tantos conselhos que garimpei lendo os livros de Pablo, eu destaco:

A tarefa de viver é dura, mas é muito fascinante.

Faça da sua vida uma bela viagem, para a qual seja necessária uma bagagem literária de vários quilos.

Leia muito, para absorver o máximo de aprendizado que sua passagem por este mundo possa te proporcionar.

Tenha papel e tinta ao seu alcance.

Escreva sempre que sentir seus sentimentos borbulharem, pois escrever é algo celestial, que melhora muito qualquer angústia de viver.

Escreva um diário todo dia sobre suas aventuras e lembranças e releia-o de vez em quando, para se orgulhar ainda mais da sua história.

Todos os dias, embriague-se com altas doses de cultura, temperadas com fartas porções de arte.

Viaje, saia pelo mundo e colecione todo tipo de experiência que os quatro cantos da terra podem te proporcionar.

Reúna seus amigos com frequência, sempre à luz de uma bela e boa garrafa de vinho inteligente.

Seduza e atraia a atenção das pessoas escrevendo e falando através da simbologia de lindas metáforas.

Seja um eterno revolucionário, tenha suas próprias opiniões e convicções e esteja sempre preparado, pois a vida é feita de debates.

Sempre elegante, Neruda tinha poucos cabelos e muitos bonés para sustentar suas ideias.

No final da minha viagem por seus livros, eu pedi uma última dica e ele foi direto ao ponto:

Leia “O Defunto”, belo poema de Pedro Nava, que ajuda a nos lembrar que cada momento na vida tem um significado eterno.

Palestrante, consultor e fundador do Blog do Maluco

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