Mês da conscientização da infertilidade

Opinião / 18/06/2018 - 06h00

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 15% da população mundial é infértil. Ou seja, um a cada cinco casais possuem dificuldades de reprodução natural. Já no Brasil, estima-se que cerca de 8 milhões de pessoas tenham problemas de infertilidade.

Embora, na maior parte das vezes, acredite-se que a infertilidade seja de origem feminina, as causas do problema apresentam a mesma frequência entre homens e mulheres. No caso delas, o fator tubário, a endometriose e a idade avançada são as principais causas de infertilidade. No caso da endometriose, a doença pode variar da ausência total de sintomas até quadros de cólicas menstruais incapacitantes que levam à necessidade de medicamentos injetáveis. Já nos homens, os principais fatores de infertilidade estão relacionados à baixa contagem, baixa qualidade de espermatozoides ou ambos.

Muitos outras causas, entretanto, podem levar à infertilidade. Homens que usam roupas íntimas muito apertadas podem sofrer do problema. Mesmo que, em casos raros, o aumento na temperatura provocada pelo uso de roupas apertadas, assim como o contato direto com altas temperaturas, possa afetar a qualidade da produção dos espermatozoides. 

Mais uma questão que pode afetar a fertilidade é o excesso de tempo sentado, como ciclistas que praticam o esporte diariamente por longas horas, extraordinariamente motoristas que usam roupas apertadas e ficam muito tempo assentados, além daqueles que lidam diretamente com alguns tipos de produtos químicos.

Mais uma condição prejudicial à fertilidade é o uso do DIU. A inserção do Dispositivo Intra Uterino, quando não realizada de maneira correta e pelo profissional habilitado, pode facilitar a entrada de bactérias no trato reprodutivo superior promovendo infecção nas trompas. A sequela destas infecções pode resultar em obstrução tubária com consequente infertilidade. O procedimento para colocar o DIU deve ser feito por um ginecologista capacitado, e o acompanhamento deve ser constante.

O excesso de peso também pode provocar alterações hormonais que irão culminar com a anovulação crônica, que é a ausência de ovulação com consequente infertilidade. Além disto, aquelas pacientes que conseguem engravidar e que se encontram acima do peso, apresentam um maior índice de aborto e de complicações na gravidez. Manter hábitos saudáveis de vida favorece o organismo como um todo, não somente a parte reprodutora.

Finalmente, mulheres que se submetem à quimioterapia também podem ficar estéreis. A ionização pode provocar uma diminuição nas células germinativas tanto na mulher (óvulos) como no homem (espermatozoides), o que pode resultar em infertilidade.

Hoje, com os altos índices de sobrevida no tratamento do câncer, tem se preocupado muito com a qualidade de vida dos sobreviventes E a manutenção da fertilidade destas pessoas já pode ser programada através do congelamento prévio dos gametas. A técnica de congelamento de óvulos ou de sêmen é indicada para aqueles pacientes que irão se submeter ao tratamento contra o câncer, antes do início deste tratamento, para que possam considerar uma gravidez futura.

Cláudia Navarro, especialista em reprodução assistida e diretora clínica da Life Search
 

 

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