Millennials e Geração Z: as diferenças no modo de trabalho

Opinião / 19/07/2021 - 06h00

Uranio Bonoldi *

O contexto em que cada pessoa cresce ajuda a definir os valores, crenças e comportamentos. Mas isso não significa que ao crescer em uma realidade similar todos sejam iguais - cada um vive, sente e reage de uma maneira às experiências pelas quais passa -, porém um perfil geral pode ser traçado. Esse é o caso das gerações denominadas como Z e Millennials.

Todos que nasceram entre 1980 e 1994 pertencem à Geração Y, mais conhecida como Millennials, enquanto a Geração Z é composta por aqueles nascidos entre 1995 e 2010. Muito diferentes um do outro, cada um tem suas peculiaridades e maneiras de pensar - fazendo com que surjam conflitos em alguns momentos e, em outros, interações.

Os Millennials cresceram em uma realidade já ditada pela tecnologia, então sabem se virar muito bem. São resilientes, voltados para resultados e possuem espírito empreendedor. "Essa geração mostrou a importância de conciliar trabalho com o lazer e tempo para a família e amigos, ajudando a flexibilizar a jornada de trabalho", comenta o consultor em gestão e planejamento estratégico Uranio Bonoldi.

Já a Geração Z nasceu em uma realidade ainda mais tecnológica e imediatista, na qual cada vez mais foram levantadas pautas sociais, étnicas e sobre sustentabilidade. "Como resultado são, de maneira geral, poucos pacientes, não têm medo de mudança, são ótimos e rápidos em aderir a novas tecnologias e vivem nas redes sociais".

As características não são absolutas, mas todos os estudos entendem que de fato existem peculiaridades que conectam os indivíduos da mesma geração, confirmando alguns padrões de comportamento. Tudo isso se mantém no ambiente de trabalho - muitas das qualidades das gerações acontecem no âmbito pessoal e profissional.

Qualquer organização eventualmente vai se deparar com diferentes gerações ao longo de sua história, seja internamente com os colaboradores ou externamente com clientes, fornecedores etc. Uranio Bonoldi afirma que "não adianta fugir dessas interações, o importante é aprender com as diferenças e com isso criar uma cultura que potencialize todas as qualidades das gerações".

Para o especialista, conviver com pessoas de diferentes gerações é uma oportunidade de se adaptar às mudanças e adquirir novos conhecimentos. "A troca entre a Geração Z e Y é importante para ambos; o primeiro ajuda a pensar fora da caixa e se adaptar, enquanto os Millennials ensinam a ter resiliência e se empoderar - um complementa o outro", ressalta.

O desafio é integrar pessoas de eras distintas no cotidiano do trabalho sem gerar conflitos. "Agradar e atrair talentos das duas gerações sem perder a identidade da organização não é uma tarefa fácil. Identificar como cada geração pode contribuir para o desenvolvimento da empresa é fundamental, assim como abraçar as diferenças e reinventar os processos e cultura da empresa com o passar do tempo garante que a empresa não fique para trás. Os gestores precisam entender e conciliar as necessidades para promover um ambiente confortável, próspero e produtivo", finaliza Uranio.

* Consultor em planejamento estratégico e governança corporativa, professor do Executive MBA da Fundação Dom Cabral, escritor e palestrante

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