Minas e 64

Opinião / 24/03/2020 - 06h00

Aristóteles Drummond*

Agora que a Revolução de 64 começa a pertencer mais à história do que as paixões políticas ou ideológicas, com a farta literatura e o acesso aos arquivos dos jornais por via digital, algumas verdades inquestionáveis começam a se consolidar nas pessoas que cultivam mais a história do que as emoções.

Murilo Prado Badaró, pesquisador e escritor, acaba de lançar o seu Bastidores de 64, que oferece bom material para avaliação e mostra a presença mineira decisiva no movimento. Realmente, a união de Minas foi um fato inquestionável e a decisão do governador Magalhães Pinto e do General Mourão Filho, comandante da guarnição federal no Estado, foram determinantes para provocar as adesões que fizeram o movimento vitorioso em 48 horas, com o então presidente da República abandonando o país.

A classe política mineira, em pelo menos quatro quintos da sua representação, esteve ao lado do movimento desde a primeira hora. Até no PTB, de Jango, não faltou apoio, como o do deputado Waldomiro Lobo, de saudosa memória. Na Assembleia, outros valores se destacaram, como Aníbal Teixeira, do PRP, Athos Vieira de Andrade, do PDC, Murilo Badaró e José Maria Alkmin, do PSD, além de todos os parlamentares da UDN. 

A bancada federal foi a mais atuante, a começar por Bilac Pinto, que denunciou a conspiração da esquerda, mas com Oscar Corrêa, José Monteiro de Castro, Elias de Sousa Carmo e muitos outros.

O empresariado mineiro foi presente e muito atuante, com Fábio de Araujo Mota, da Fiemg, Josaphat Macedo, da Faemg, Newton Veloso, Gabriel Bernardes, Jonas Barcellos? o pai ?, Augusto de Lima Neto e Evaristo de Paula.

O meio intelectual, com Alberto Deodato (também deputado), o grande orador e parlamentar Abel Rafael Pinto, do PRP, Waldemar de Almeida Barbosa, Salomão de Vasconcellos, Victor Magalhães Figueira e Lima Junior.

Está patente que a união dos generais Mourão Filho, de Diamantina, e Luiz Carlos Guedes e a tropa mineira da PM, com o coronel José Geraldo de Oliveira, apoiados pelo governador, precipitou os acontecimentos ao colocar as forças políticas e os militares na obrigação de apoiar o movimento, pondo fim à crise e a ameaça de comunização do Brasil. Os arquivos existentes, além dos jornais da época, confirmam que, sem a decisão de Minas, o desdobrar da crise que o Brasil vivia seria imprevisível.

Minas ainda deu todos os vices civis do período militar ? Alkmin, com Castelo Branco, Pedro Aleixo, com Costa e Silva, e Aureliano Chaves, com João Figueiredo. E forneceu ministros de relevância, como Milton Campos, Pedro Aleixo, Magalhães Pinto, Rocha Lagoa, Camilo Penna, José Israel Vargas, Ibrahim Abi-Ackel, Eliseu Resende, Alysson Paulinelli e Murilo Badaró, entre outros.

Não há mais como se negar que a Revolução foi um movimento que reuniu as forças vivas da nacionalidade e que coube a Minas a responsabilidade de avaliar o momento certo de sua deflagração.

*Escritor e Jornalista
 

 

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Comentários