Mitos ajudam a superar decepções

Opinião / 02/11/2019 - 06h00

Mauro Condé

“Conhecer a sua própria escuridão é o melhor caminho para lidar com as trevas das outras pessoas”.

Acabo de voltar de uma viagem rumo ao conhecimento, usando como meio de transporte excelentes livros sobre Psicologia Analítica.

Eles me levaram para Zurique, na Suíça de 1960, onde fui recebido pelo famoso psiquiatra e psicoterapeuta Carl Jung, a quem fui logo pedindo:

Ensina-me algo que eu ainda não saiba e tenha o poder de mudar a minha vida para melhor.

Aprenda a usar a psicologia dos mitos, para superar decepções profundas.

Mitos são aqueles personagens das histórias antigas, que quando suas narrativas se instalam em nossa mente, servem de inspiração para superarmos nossos problemas interiores.

Jung ilustrou sua tese com um exemplo de mais de 6.000 anos atrás, que relaciona a dor sofrida por uma separação com a mitológica história do talentoso músico Orfeu.

Orfeu casou-se com Eurídice, que, ao ser assediada por Aristeu, fugiu e tropeçou numa serpente, morrendo pelo efeito da picada.

Desesperado, Orfeu usou a beleza do seu canto para descer até as profundezas do mundo subterrâneo, na tentativa de resgatar seu amor perdido.

Persuadiu até os soberanos das trevas, que concordaram que ele trouxesse Eurídice de volta à vida.

Só que lhe impuseram uma condição: a de que, durante a saída do mundo das trevas, Orfeu não olhasse para trás, à procura da garantia de que sua amada o estivesse seguindo, sob pena de perdê-la pela segunda vez.

Orfeu não resistiu e olhou para sua amada antes de chegarem à luz do Sol, o que fez com que Eurídice morresse em definitivo.

Para Jung, essa metáfora de não olhar para trás ajuda muito.

Diante de uma perda, a pessoa tem que fazer uma escolha: para sair do inferno, para suportar uma crise traumática, ela deve aprender a dialogar com seus fantasmas (mortos vivos) internos, que vivem a lhe assombrar e a lhe prender no passado, fazendo-a olhar para trás fixa e inutilmente.

Tal enfrentamento cria um novo “eu”, libera uma energia psíquica positiva, que incentiva a pessoa a sempre olhar para a frente e a iniciar a subida e deixar morrer o que é inevitável, e, assim, abrir espaço para que uma nova vida possa germinar, que novas possibilidade possam se abrir.

Aproveite a sabedoria das histórias dos mitos, encontrando uma que possa ser comparada com seus problemas reais e possa trazer a luz para as suas soluções.

Palestrante, consultor e fundador do Blog do Maluco

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