Monetária X Fiscal

Opinião / 03/04/2019 - 06h00
Aroldo Rodrigues*
 
A taxa Selic, taxa básica de juros na economia, se encontra em sua mínima histórica. Essa cotação se deve em boa parte ao brilhante trabalho do ex-presidente do Banco Central Ilan Goldfaine e sua equipe. As constantes reduções partindo do patamar de 14.25% a.a até atingir os atuais 6.5% a.a foram paulatinas, explicadas ao mercado dando sustentabilidade aos cortes.
 
Sabemos que uma taxa de juros baixa é um estimulante natural para o investimento produtivo, o dinheiro fica mais “barato” tanto para quem quer aumentar a capacidade produtiva quanto para consumidores comprarem a prazo. Outro ponto importante para o reaquecimento da economia é o nível de inflação, que se encontra muito baixo (para os padrões brasileiros). 
 
Pela terceira vez seguida, iniciamos o ano com elevadas expectativas para o desempenho do PIB. O ano de 2017, que apontou como “o ano da mudança”, revelou uma estabilização de 1%. Já 2018, o ano da consolidação, também decepcionou, movimento que parece se repetir em 2019.
 
A pergunta que fica é: Por que mesmo com um ambiente favorável, o país não retomou de fato ao crescimento econômico? Reduzir ainda mais a taxa de juros provocaria melhoria no crescimento? Acredito que não é a solução a curto prazo mais sustentável, mas não descartaria a possibilidade. Penso que a política fiscal é a resposta para nosso desempenho atual e a solução de como voltarmos a crescer. Por mais que a política monetária tenha papel no estímulo ao crescimento, um país com as contas desajustadas e com a expectativa de piora neste cenário não consegue inspirar a credibilidade necessária para a retomada do investimento.
 
Voltamos à reforma da Previdência e ao controle dos gastos. Apesar de já batidos, os dois discursos são solução para estimular uma verdadeira retomada. Reforçando que sou favorável a mais reduções na Selic, mas estimular a economia via política monetária neste momento poderia provocar o crescimento com um preço (inflação) alto a pagar no futuro.
 
(*) Economista, pós-graduado em consultoria empresarial, palestrante e professor universitário
 
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