Não aos gurus e às fórmulas mágicas

Opinião / 12/04/2019 - 06h00

Marcelo Eduardo de Souza*


Nos negócios, nos relacionamentos e na vida, o mundo nos desafia com incertezas, complexidade e caos. As recomendações são foco, resiliência, visão sistêmica, diálogo, cocriação, empatia, paciência, tolerância e muito mais.

Sentir-se mais cômodo, contente, seguro, ser mais eficaz, efetivo e alcançar sucesso, relacionar-se melhor, ou ocupar com excelência o lugar e papel que lhe cabem no contexto – nada é fácil. As dificuldades são maiores nas coletividades – equipes de trabalho, relacionamentos etc. Assim, construir equipes e relacionamentos não é tarefa simples.

Eis o dilema: como pensar de modo diferente, se só o que sabemos é pensar como pensamos? Como agir de outras maneiras, se só o que sabemos é agir como agimos? Como construir equipes, sistemas, planos, estratégias novas, se só o que sabemos são os que temos construído até agora?

Cada desafio, cada dificuldade, cada dor decorre de que essencialmente estamos identificados com o problema do qual tentamos escapar. Somos o problema. E pior: orgulhamo-nos dele. Orgulhamo-nos de ser a empresa que somos, o país que somos. Dito de outra forma: reclamamos, mas ao mesmo tempo nos orgulhamos.

Construir mudança não é tarefa simples. Requer ver com coragem o modo atual e desfazer a identificação com ele. Mas sem o negar. Reconhecendo o que ele tem de bom e de que modos ele nos impediu de ir além. Qualquer coisa diferente disso vai gerar sombras, que mais cedo ou mais tarde vão cobrar a conta.

A condução do processo de mudança requer, daquele que auxilia, cuidado e compaixão, senso prático, flexibilidade, rigor intelectual e método. As capacidades do cliente são a matéria-prima primordial da construção da mudança que é somente dele.

Desconfie de gurus, de quem acha que vai ensinar a você como viver. Desconfie de fórmulas de sucesso entregues por “iluminados” (a um alto preço, claro!).

Coaching pra valer é sobre construir para cada pessoa, e para cada coletividade, o que é importante para ela – não para o suposto guru. E isso requer rigor, cuidado e arte. O protagonista principal só pode ser você que busca uma transformação de algo em você que é importante para você, para as coletividades das quais participa ou para o mundo. O coach é apenas um instrumento a seu serviço.

(*)Advogado, Engenheiro Florestal, MSc. Integral Master Coach®, Sócio Fundador e Diretor da Âmbito Negócios Sustentáveis Ltda

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