Não falei que eu tava doente?

Opinião / 11/07/2020 - 06h00

Mauro Condé*

"Não falei que tava doente?" Epitáfio do Hipocondríaco rs.

Acabo de voltar de uma viagem rumo ao conhecimento, usando como meio de transporte excelentes livros sobre Literatura Brasileira.

Eles me levaram até a biblioteca da Academia Brasileira de Letras, em pleno Rio de Janeiro do ano de 1908, onde fui recebido por Machado de Assis, a quem fui logo pedindo:

Ensina-me algo que eu ainda não saiba e tenha o poder de mudar a minha vida para melhor.

Tenha filhos, plante árvores e escreva livros – essas são formas mais lindas de você deixar um legado para o futuro.

Torne-se um bom escritor através da arte de primeiro ser um voraz e excelente leitor.

A leitura em excesso salva e enobrece o homem e pode levá-lo do ponto zero ao infinito.

Machado de Assis nasceu negro e pobre numa favela do Rio e morreu prestigiado e Presidente da Academia Brasileira de Letras.

Seus livros são detentores do recorde de maior número de personagens leitores de livros por linha quadrada da história, escritos numa época em que a leitura era um luxo de pouco acesso para a população.

Hoje, 181 anos do seu nascimento, é um dos escritores mais lidos nos Estados Unidos por causa de uma excelente tradução do seu velho e bom livro “Memórias Póstumas de Brás Cubas”.

Procure viver o melhor que você puder dentro de você mesmo, independente do que te acontecer do lado de fora.

Machado criou Brás Cubas com o intuito de torná-lo um dos primeiros médicos do inconsciente humano, antes mesmo de Freud desenvolver a psicanálise.

No livro, Brás Cubas inventa um suposto remédio com o intuito de ser a cura para todas as dores da alma.

Sonhando em criar a cura para a hipocondria, o tédio e a melancolia da vida, acaba vítima da sua própria prescrição agravada por uma pneumonia, segundo ele mesmo narra de maneira póstuma e reversa nas deliciosas páginas de suas memórias.

Irônico e dono de um humor refinado, ele tinha uma capacidade para inverter expectativas que ele mesmo criava ao longo de suas histórias para surpreender até o mais incrédulo seguidor ao final.

Em o Alienista, Machado explorou, em forma de crítica social, o tema da loucura humana como uma lucidez de dar inveja.

Durante essa pandemia, eu li e reli a obra de Machado de Assis e queria terminar te recomendando três textos curtos desse gênio, que podem ser lidos de forma avulsa na internet:

Pai Contra Mãe; O Espelho; e A Igreja Do Diabo.

Imperdíveis do início ao fim.

*Palestrante, Consultor e Fundador do Blog do Maluco.

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