Na era da internet, tudo é líquido

Opinião / 06/02/2021 - 06h00

Bianca Hartleben Diel*
 

Geograficamente, fronteira é o limite que demarca um país ou estado e o separa dos outros. Atualmente, contudo, esse conceito está cada vez mais fluído. As informações viajam rapidamente de um local para outro e as pessoas estão cada vez mais conectadas. No centro disso, a internet!

Considerada um dos pilares da sociedade digital, no início, tinha o objetivo apenas de integrar as bases militares e os departamentos de pesquisa do governo americano. Foi só a partir da década de 80 que diversas instituições de vários países foram se interligando através da Internet. Já na década de 90, surgiram as primeiras redes sociais e, com elas, a aceleração da Sociedade da Informação. E é ela, por meio de plataformas como Facebook, Whatsapp e Twitter, que vem demonstrando cada vez mais sua influência em questões políticas, culturais, midiáticas, econômicas e educacionais.

A nona meta dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável propostos pela Organização das Nações Unidas (ONU) propõe “aumentar significativamente o acesso às tecnologias de informação e comunicação e se empenhar para procurar ao máximo oferecer acesso universal e a preços acessíveis à internet nos países menos desenvolvidos”, pois entende a internet como fator fundamental para uma sociedade pautada na sustentabilidade. É ela que democratizou a informação e leva conteúdo a quem antes não tinha acesso.

Atualmente, cerca de 75% dos brasileiros tem acesso à internet (IBGE), e a maioria deles se informa justamente pelas redes sociais. Uma pesquisa feita pela Câmara dos Deputados e pelo Senado, em 2019, apontou que o Whatsapp é a principal fonte de informação de grande parte da população: 79% dos entrevistados afirmaram receber notícias pela rede.

Mas, se por um lado a internet rompe fronteiras e democratiza informações e cultura, por outro ela se torna extremamente prejudicial para alguns pontos da sociedade. Destaco alguns: a fragilidade dos relacionamentos, a cultura do cancelamento e a popularização das fake news.

Em 1999, Zygmunt Bauman, popularizou a ideia de “relações líquidas” por meio do conceito de Modernidade Líquida. Nas suas próprias palavras, “os tempos são líquidos porque, assim como a água, tudo muda muito rapidamente. Na sociedade contemporânea, nada é feito para durar”. Nesse sentido, falta solidez nas relações sociais e há, no ciberespaço, uma liquefação dos limites políticos, éticos e culturais. Nela, a liberdades das escolhas acabaram por moldar indivíduos extremamente voltados para si, despidos de valores coletivos.

E, se na internet conceitos sólidos tendem a se desfazerem, a imprensa, como entidade consolidada, também passa a ser questionada. Ganham espaço as fake news pelo uso massivo das redes, que propagam informações falsas e comprometem a credibilidade dos fatos. Nisso, vale ressaltar que o brasileiro não tem o hábito de checar a veracidade do que consome. De acordo com uma da pesquisa Confederação Nacional do Transporte (CNT), apenas 31,5% dos brasileiros têm o costume de sempre verificar se as informações que recebem são verdadeiras.

É fato que em um mundo cada vez mais globalizado, as redes se tornam essenciais para propagar ideias e progredir em busca de um mundo melhor. Nos últimos anos elas foram fundamentais, evoluíram e revolucionaram a maneira com as pessoas se comunicam e se informam. No entanto, mais do que nunca, é necessário estar atento ao modo como se utiliza a internet.

Somos responsáveis por tudo o que publicamos e compartilhamos. É só com responsabilidade que avançaremos para um mundo mais sustentável.

*Head de TI da Leão Alimentos e Bebidas

 

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