Na perigosa contramão da vida: uma distorcida percepção da realidade do trânsito brasileiro

Opinião / 08/12/2020 - 06h05

Milton Teixeira Filho* 
 

No dia a dia das avaliações como Médico Perito para fins da CNH, percebo que as pessoas abraçaram e acolheram as mudanças esdrúxulas em relação à CNH. 

Ao mesmo tempo, ficam intrigadas e sem argumentos quando apresento meu ponto de vista sobre o violento cenário do trânsito brasileiro e os prováveis e terríveis impactos de agravamento da situação atual, que serão constatados nos anos seguintes à flexibilização das regras e normas atuais.

Sinto uma enorme e angustiante impotência diante desse comportamento quase generalizado dos condutores e condutoras, que agem com egoísmo, imediatismo, indisciplina e rebeldia. Mesmo com todas as evidências gritantes e recorrentes que demonstram claramente a necessidade urgente de uma mudança global no contexto do trânsito. Mas, que passa por um aprimoramento, aperfeiçoamento e fiscalização intensificados e continuados, das leis e instituições responsáveis pelo sistema viário.

Quando vejo os parlamentares votando e decidindo os rumos que serão adotados nessa política pública específica, totalmente dissociados da realidade dos fatos e evidências científicas, em sua grande maioria, fico entristecido e acuado em minha pouca relevância. Como se estivesse assistindo a uma encenação de tragicomédia, onde pouquíssimas e sensatas vozes são abafadas pelos falastrões desinformados, irresponsáveis e inconsequentes.

Como não se trata de uma peça teatral, mas um acachapante e desafiador momento que vivenciamos, precisamos unir todos os esforços no sentido de defendermos nossas posições no exercício da medicina preventiva para o trânsito. Quiçá, sensibilizar a população em geral sobre a importância de uma discussão mais ampla e democrática sobre tema tão fundamental para a preservação de vidas, já que desaguará no nosso tão sobrecarregado Sistema Público de Saúde.

Sigamos juntos, nessa jornada de mobilização nacional, em defesa de propostas que visem a manutenção da vida que desloca nessa complexa rede viária, e não a desconstrução de uma consciência preventiva que vem, lenta e gradualmente, sendo assimilada pela nossa sociedade!
 

(*) Médico de Tráfego
 

 

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