Nanotecnologia: realidade mundial

Opinião / 11/04/2019 - 06h00

Nelson Ribeiro de Carvalho Jùnior*

Uma das mais fascinantes ciências do século 21, a nanotecnologia trabalha com objetos em escala nanométrica em uma dimensão minúscula, cerca de 1 bilhão de vezes menor que o metro. Um dos princípios básicos da nanotecnologia é a construção de estruturas e novos materiais a partir dos átomos. Nesta escala de tamanho, os átomos se comportam de maneira diferente, podendo apresentar novas propriedades: tornando-os mais resistentes ou mais maleáveis, podendo conduzir calor e eletricidade, ficar mais reativos, mudar de cor e outros diversos fenômenos. 


O desenvolvimento da nanotecnologia tem potencial para ampliar as oportunidades em diversos setores da economia, como na indústria, tecnologia da informação, energia, segurança e transporte, seja no desenvolvimento de soluções que diminuem o impacto no meio ambiente, tratamento de doenças e/ou para catalisar reações químicas necessárias na indústria economizando recursos. Sendo este ultimo setor objeto de estudo da nossa tese de doutorado, em que por meio de nano-ligas de alumínio-magnésio são exploradas usando um algoritmo genético aplicado a função potencial Gupta e sintonizada para procurar os mínimos de energia mais baixos para cada tamanho de cluster, cujo os resultados permitem através de recursos computacionais encontrar as melhores composições atômicas. 


Durante as pesquisas consegui acompanhar o crescimento desta fascinante área da ciência que movimentou trilhões ao redor do planeta em 2018. No Brasil no mesmo ano, a Financiadora de Inovação e Pesquisa (Finep) lançou a chamada pública CT-Infra Temático 4/2018, com a nanotecnologia como uma de suas linhas temáticas para receber investimentos.

Apesar de rentável, a nanotecnologia ainda é uma inovação relativamente pouco utilizada pelas indústrias brasileiras. Na Pesquisa de Inovação Tecnológica realizada pelo IBGE, observa-se que apenas 1,8% das empresas inovadoras brasileiras usavam nanotecnologia.


Para auxiliar a indústria, já existe uma rede de laboratórios especializados. O Sistema Nacional de Laboratórios de Nanotecnologia Sisnano é composto por 26 centros de pesquisa. Cada laboratório participante deve estar disponível para desenvolvimento de nanotecnologia para a indústria. A maioria dos centros está localizada na região Sudeste – com 18 laboratórios. Na região Sul estão outros quatro – dois no Paraná, um em Santa Catarina e um no Rio Grande do Sul. Encerram a lista Pernambuco, com dois, Ceará e Pará, com um cada.


A nanotecnologia é uma realidade no mundo e, apesar do aumento de investimento no Brasil, não se compara em nível mundial, cujos investimentos são astronômicos. De acordo o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), estima-se que a nanotecnologia deve envolver quase 13 mil empresas que juntas movimentam US$ 3 trilhões anuais, valor que deve saltar para US$ 5 trilhões até 2020.


*Doutorando em Modelagem Matemática Computacional CEFET/MG, mestre em Modelagem Matemática Computacional Cefet/MG, especializado em engenharia de Software PUC Minas e Bacharel em Ciência da Computação, professor do curso de graduação em Sistemas de informação da Faculdade Promove e Gestor de Interação na Prodemge

 

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