Ninguém é irrecuperável

Opinião / 27/05/2016 - 07h50

Maurílio Pedrosa*

O Minas Pela Paz é uma instituição que tem como missão promover a cultura de paz, por meio da inclusão social, tendo em vista a transformação da vida de pessoas socialmente vulneráveis. Nossas iniciativas passam pela geração de oportunidades de trabalho e capacitação para egressos e apenados do sistema prisional e por um trabalho dedicado ao fortalecimento e à expansão das APACs, as Associações de Proteção e Assistência aos Condenados.

As APAC’S são organizações da sociedade civil que atuam na execução das penas de privação de liberdade de forma humanizada, onde disciplina e confiança andam juntas para se chegar ao objetivo de potencializar a capacidade de recuperação dos presos. O desenvolvimento dessa metodologia teve como uma de suas premissas a crença do advogado paulista, dr. Mário Ottoboni, que de “ninguém é irrecuperável” e de que diante de elementos como a educação, o trabalho, a espiritualidade, a proximidade da família e de sua comunidade, o condenado se torna um recuperando, como é chamado na APAC.

Estar em uma APAC requer dos recuperandos disciplina, compromisso e dedicação às atividades de manutenção do espaço com uma efetiva produtividade ao longo de todo o dia. Esse é um dentre vários fatores que fazem com que as APACs tenham um custo de manutenção reduzido em relação ao sistema prisional comum, que resulta num baixo índice de reincidência criminal.

Para que uma APAC exista é fundamental uma ação intersetorial, que necessita da participação do Governo do Estado e Tribunal de Justiça com a validação da FBAC – Fraternidade Brasileira de Assistência aos Condenados, instituição responsável por assegurar o cumprimento da metodologia. É imprescindível nesse contexto, o engajamento das instituições locais e da comunidade, pois nas APACs a junção de esforços é capaz de promover mudanças com reflexos muito positivos que pacificam as comunidades.

Essa semana, celebramos a inauguração de mais uma APAC em Minas Gerais, dessa vez na cidade de Timóteo. Há mais de dez anos atrás, quando se anunciou a instalação da APAC na cidade, a notícia chegou com desconfiança e preconceito por parte da comunidade, sentimentos que aos poucos foram sendo substituídos pelo entendimento de que a APAC é um método eficaz não só de cumprimento de pena, mas de valorização da vida. “Nesse local, os recuperandos pagarão com dignidade os danos causados e retornarão mais preparados ao convívio social”, declarou emocionado José Carlos de Paula, presidente da APAC de Timóteo.

O sentimento de realização que temos com a implantação dessa nova APAC pode ser expressado pela frase de Dalai Lama, quando diz que “o desejo de ir em direção ao outro, de se comunicar com ele, ajudá-lo de forma eficiente, faz nascer em nós uma imensa energia e uma grande alegria, sem nenhuma sensação de cansaço”. 

A construção de uma sociedade mais justa será realidade à medida que cada um de nós compreender e cumprir o seu papel. Estamos no caminho e seguimos na busca de ampliar, cada dia mais, o alcance da metodologia APAC.

*Gestor do Minas Pela Paz

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Comentários