O Brasil precisa combater a pobreza menstrual

Opinião / 06/10/2021 - 06h00

Stefania Molina *

Pesquisa realizada pela marca Always mostra que uma em cada quatro alunas faltam às aulas no período menstrual no país. Motivo: não têm dinheiro para compra de absorventes.

À medida em que organizações levantam dados de uma realidade pouco observada no Brasil, alguns municípios dão largada nessa corrida contra a desigualdade de gênero.

Além de representar um estímulo à defasagem no aprendizado, o problema também traz riscos à saúde física e mental. Estima-se que são 40 dias de aulas perdidas ao ano, além de constrangimentos que podem levar essas jovens à exclusão escolar.

São Paulo, Recife e Maranhão são alguns entes da federação que criaram leis e políticas públicas para garantir a distribuição de absorventes para jovens em fase escolar.

No caso de Recife, por exemplo, existe o Ciclo do Cuidado, programa que, além de distribuir os absorventes, é voltado para a formação de educadores e para a compreensão das famílias sobre o tema.

A pobreza menstrual é o conjunto de três fatores: a falta de acesso à informação sobre menstruação ou à educação menstrual; a falta de produtos menstruais, como absorventes; e a falta de uma infraestrutura de saneamento.

Em relação à situação atual no Brasil, o estudo das Nações Unidas mostra que uma em cada quatro alunas faltam às aulas no período menstrual porque não têm dinheiro para comprar absorvente.

Quanto à situação nas escolas, estudo do Unicef e UNFPA aponta que 3% das estudantes não possuem banheiro em condição de uso, e 11,6% não têm papel higiênico disponível para utilização. Essa situação é que chamamos de “combo da pobreza menstrual”. Elas não têm acesso à aquisição do absorvente e não encontram infraestrutura na escola para cuidar da sua saúde menstrual. E muitas vezes falta essa infraestrutura inclusive em casa.

Para mudar essa realidade, é necessário que municípios, estados e Governo federal trabalhem juntos para atacar a falta de acesso à informação, a produtos menstruais e à infraestrutura. A educação menstrual é fundamental tanto para as meninas, quanto para os meninos, especialmente para quebrar tabus e preconceitos.

(*) Mestre em Políticas Públicas pela Hertie School em Berlim. Cofundadora da organização Serenas, que atua na prevenção e enfrentamento de violências contra meninas e mulheres e na promoção e efetivação dos direitos sexuais e reprodutivos

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