O desafio de Zema

Opinião / 11/12/2018 - 06h00

Aristóteles Drummond*

A eleição de Romeu Zema se constitui em fenômeno inédito em um Estado em que a política compete com o futebol na preferência popular. O mineiro é o brasileiro que mais de perto acompanha a política, desde os embates municipais aos estaduais. E foi a grande escola ao longo da República e origem dos grandes nomes.

Na história, quando não fazia o presidente (Afonso Pena, Delfim Moreira, Arthur Bernardes), ajudava a fazer, como Getúlio Vargas, em 1930. Na redemocratização, fez a volta de Vargas, elegeu JK, liderou 64 e fez todos os vices civis  José Maria Alkmin, Pedro Aleixo e Aureliano Chaves. Depois, o presidente eleito indiretamente Tancredo Neves, que não tomou posse. Na primeira direta, Itamar Franco foi o vice e assumiu, com Lula, José Alencar Gomes da Silva.
Sem falar dos políticos mais importantes da República que não chegaram à Presidência, como Antônio Carlos de Ribeiro de Andrada, Francisco Campos, Milton Campos, Magalhães Pinto, Bilac Pinto e Murilo Badaró.

Eleito de maneira tão expressiva, Romeu Zema é um político com uma trajetória diferente, mas motivado pelo espírito público, o sentimento da necessidade de uma mudança no país _ o que, inclusive, o levou à postura pragmática de praticamente ter apoiado a candidatura Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência da República em detrimento ao candidato de seu partido, Amoedo, de excelentes intenções e preparo. Só que este não teve a percepção de que uma desistência na última semana permitiria a vitória de Bolsonaro no primeiro turno e o faria, hoje, o mais admirável de todos os que disputaram a eleição em que o futuro do Brasil realmente esteve em jogo. O diferencial foi que Zema é mineiro e Amoedo, carioca. 

Zema sabe que não pode governar com indicados por agências de executivos. Estes selecionados buscam bons salários, não possuem a mola propulsora do patriotismo, do civismo, daqueles poucos que, como ele próprio, são capazes de sacrificar o pessoal pelo coletivo. E muitos nem podem por motivos de natureza econômica.

Minas teve e tem bons quadros. Uma safra de parlamentares que são herdeiros de políticos de relevantes serviços prestados, como os casos de Paulo Abi-Ackel, Bilac Pinto, Lafayette Andrada, Agostinho Patrus e Rodrigo de Castro _ um campeão de votos. Todos, de alguma maneira, podem ser úteis à nova gestão. Prefeitos de qualidade, como é exemplo Maurílio Guimarães, de Curvelo. 

Tem de recorrer à prudência mineira, à conciliação, ao pragmatismo. Só assim não frustrará os eleitores e as próprias forças vivas da vida mineira, mais tradicionais, que estiveram com os dois outros candidatos, o senador 

(*) Escritor e jornalista

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