O desafio no combate às hepatites virais

Opinião / 21/09/2021 - 08h48

Poliana Diniz*

As hepatites virais são consideradas problemas de saúde pública em todo o mundo, responsáveis por 1,3 milhão de mortes por ano, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Em 2020, foram notificados mais de 40 mil casos da doença apenas no Brasil. O número representa o tamanho do desafio para erradicar as hepatites virais no país até 2030, meta estabelecida pelo Ministério da Saúde. Diante desse cenário, é importante reforçar o alerta contra a doença e conhecer as formas de prevenção.

As hepatites virais podem ser causadas por cinco tipos de vírus, cada um com sua própria forma de transmissão e tratamento. De modo geral, as hepatites são inflamações que atingem as células do fígado e causam alterações leves, moderadas ou graves. Trata-se de uma infecção silenciosa, que não apresenta sintomas. Entretanto, quando manifestados, podem causar problemas como cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras.

A hepatite A é transmitida, principalmente, pela água e alimentos contaminados, ou pelo contato com uma pessoa infectada. Já a tipo B, uma das mais predominantes no Brasil, é classificada como uma infecção sexualmente transmissível, adquirida pelo contato com sangue, sêmen ou outros fluidos corporais infectados. Vale lembrar que ambos os tipos podem ser prevenidos, por meio de vacinação.

A hepatite C é a forma mais comum em todo o mundo, considerada uma epidemia pela OMS, pois não tem vacina e conta com mais de 380 mil diagnósticos no Brasil nos últimos 20 anos. As formas mais comuns de transmissão são exposição ao sangue infectado, que pode ocorrer pelo uso inadequado de injeções e atividades sexuais. Inclusive, dados mais recentes do Ministério da Saúde apontam que apenas 56,6% dos jovens brasileiros, com idade entre 15 e 24 anos, afirmam utilizar preservativos.

A hepatite D acomete pessoas já infectadas pelo tipo B. Ela é considerada a forma mais grave da doença, devido à rápida progressão para a cirrose e maior risco de câncer de fígado. O contágio também acontece por meio de relações sexuais com pessoas infectadas sem o uso de preservativo, de mãe para filho durante a gestação ou o parto, e de contato com sangue infectado.

Por sua vez, a hepatite E é mais rara, com cerca de 15 mil casos anuais no Brasil. As formas mais comuns de transmissão são fecal-oral, por meio de água e alimentos contaminados, e o tratamento consiste em cuidados médicos e paliativos, com reidratação e repouso. Na maioria dos casos, a doença se cura naturalmente, entre quatro e seis semanas, mas o tratamento prescrito deve sempre ser respeitado, para evitar que a doença evolua e cause complicações.

Vale ressaltar que todas as pessoas precisam ser testadas pelo menos uma vez na vida para a doença. Em caso de situação de vulnerabilidade ao contágio, a testagem deve ser feita periodicamente, de preferência sempre que houver exposição ao risco de transmissão. Para quem já foi diagnosticado, os principais cuidados a serem tomados são: repouso, ingestão de líquidos, evitar o consumo de álcool e de alimentos gordurosos, assim como evitar o uso de medicamentos sem orientação médica, para não sobrecarregar o fígado. Outros hábitos também devem ser reforçados no cotidiano, como manter bons hábitos de higiene, usar preservativos nas relações sexuais, evitar compartilhar objetos cortantes e perfurantes e contato com sangue que possa estar infectado.

Além das precauções básicas, outras medidas mais abrangentes podem ser aliadas na prevenção e erradicação das hepatites virais. O investimento em saneamento básico, por exemplo, é fundamental, sobretudo num país em que muitos domicílios ainda não possuem acesso a tratamento de água ou de esgoto. Reforçar a educação sexual e sobre a saúde humana também é fundamental, especialmente em relação ao uso da camisinha.
As diversas formas de transmissão são o maior desafio para a saúde pública no combate às hepatites virais. E, por nem sempre apresentarem sintomas, muitas pessoas desconhecem ter a infecção, que pode evoluir por anos sem o diagnóstico e o tratamento adequados. Esses fatores apontam para a importância de adotar cuidados especiais com a saúde, tais como a adesão à vacinação para as hepatites A e B e a realização de testes rápidos para detecção dos vírus tipo B ou C, disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).

*Farmacêutica da Drogarias Pacheco

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