O Dia Mundial do Livro e o livro na pandemia

Opinião / 22/04/2021 - 06h00

 

Luiz Carlos Amorim 

 

O dia 23 de abril é o dia Mundial do Livro. Mas eu acho que é só mais um dia para comemorarmos este objeto sagrado que nos traz cultura, conhecimento, entretenimento. Nesses tempos de coronavírus, temos até mais pelo que comemorar: há que se comemorar uma das poucas coisas boas que a pandemia nos trouxe. Desde abril de 2020, com os cuidados que precisamos ter nos confinamentos ou fora deles, precisamos ficar em casa, para não pegarmos a Covid-19 e para não espalhá-la, só saindo quando estritamente necessário. Quem nos salvou neste longo período de cuidados para tentarmos não ser infectados pelo vírus nefasto? A arte, foram artes como o cinema, a música e a literatura que nos salvaram de enlouquecermos. Sim, a literatura também nos salvou. Passamos a ler mais, pois ficamos dias inteiros em casa por um bom tempo – ainda ficamos - e a leitura nos ocupou o tempo e a mente. Quem já lia leu muito mais e até muita gente que não lia passou a ler. A pandemia fez novos leitores. Então temos, sim, o que comemorar neste dia Mundial do Livro.

 

Nestes tempos de revolução no ato de ler, não só livros impressos foram lidos. O livro digital teve mais adesões, porque não precisamos esperar que ele seja entregue, quando o compramos pela internet: ele é entregue na hora. De maneira que, apesar de não podermos sair, compramos mais livros, também, pois a revolução tecnológica na apresentação do livro permitiu isso. Comprar livros através da internet e recebê-lo através da internet é uma comodidade muito bem-vinda nestes tempos bicudos de pandemia. E ler um livro digital é muito simples, podemos lê-lo no celular, no tablet, até no notebook.

 

Comprovadamente, o livro como o conhecemos, de papel impresso, continua forte e vendendo bem, mas o e-book está crescendo, ainda mais em tempos de acometimento de uma doença tão terrível como a que estamos enfrentando, quando temos que pensar duas, três, quatro vezes antes de sair de casa.
Com a informática a serviço da leitura, a tendência esperada de que o hábito de ler viesse a se intensificar se tornou realidade, embora por caminhos tortos: uma pandemia que nos impede de sair para não contrairmos o vírus maldito nos fez consumir mais livros digitais.

 

Então talvez devamos comemorar tanta tecnologia a serviço da leitura, mesmo que a razão de estarmos lendo mais seja uma pandemia funesta, inimaginável, que está matando aos milhares. A literatura nos salva. Nossa mente continua sã porque temos a literatura para nos levar a viajar pelo mundo mágico e pela vida aventureira de personagens os mais diversos. Isso ajuda a mantermos longe a depressão, a ansiedade e o medo.

 

A verdade é que devemos comemorar o livro todos os dias, essa fonte de conhecimento, de aventura e de pesquisa da trajetória do ser humano neste Planeta Terra. Mesmo que a terra esteja doente neste momento. E até por causa disso.

 

*Escritor, editor e revisor – Cadeira 19 da Academia Sulbrasileira de Letras. Fundador e presidente do Grupo Literário A Ilha, que completou 40 anos em 2020. http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br

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