O ensino da Odontologia em época de pandemia

Opinião / 18/03/2021 - 06h00

Lucas de Morais Barros*

]Desde 2020, o ensino brasileiro vem enfrentando enormes desafios, em todos os níveis da educação: do ensino superior à educação básica, do ensino público ao particular.

No que tange ao ensino superior, não há dúvidas que as instituições de ensino, principalmente as particulares tiveram que se reinventar e estão se reinventando. Essas instituições dependem das mensalidades dos alunos, diferentemente das universidades públicas, onde o fomento é governamental. Então manter os alunos e conquistar novos tornou-se um desafio e uma necessidade. Isso somado à multiplicação de cursos acirrou ainda mais a disputa desse mercado.

Não há como negar que o ensino remoto veio pra ficar. Possui vantagens e desvantagens, tanto para alunos quanto para professores. Do ponto de vista acadêmico, não vejo o menor problema de que alguns conteúdos possam ser dados de forma remota. Porém, aulas remotas esgotam a todos. A dificuldade em absorver conhecimentos, a falta do olho-no-olho, o feedback dos alunos? Isso sem falar na dificuldade de avaliações. Se avaliar presencialmente já era difícil, remotamente então nem se fala. Ademais, hoje já temos a chamada “fadiga bournout” pelo excesso de tempo junto ao notebook e ao celular

Da mesma forma não há como abrir mão da importância da aula presencial na formação dos profissionais, particularmente, os futuros profissionais da área da saúde.

É inegável que houve prejuízo na formação de cirurgiões-dentistas, enfermeiros, fisioterapeutas, biomédicos e médicos. Parece-nos óbvio que é impossível ensinar um médico operar à distância, um enfermeiro “pegar” uma veia ou um dentista aprender a usar o “motorzinho” à distância. Por mais criativo que o professor seja, por mais que domine tecnologias e aplicativos, não adianta. Temos que saber que pra certas coisas “não tem que ficar inventando moda.”

Tivemos em 2020, praticamente dois semestres inteiros com aulas remotas, essa é a verdade. E pelo jeito estamos caminhando para mais um semestre dessa forma, em 2021.

Mas estamos nos reiventando, usando as ferramentas disponíveis da melhor forma possível e nos desdobrando para oferecer educação e formação de qualidade.

O que nos resta é cobrar das autoridades que tenham COMPETÊNCIA na gestão da coisa pública, que trabalhem com seriedade e respeito à vida humana. Que os cirurgiões-dentistas (alunos e profissionais) sejam considerados grupo de risco (óbvio) e tenhamos prioridade na vacinação. Como pode ser diferente? Há alguma dúvida se somos grupos de risco?
Vacinação já! E para TODOS!

* Mestre e doutor em Dentística, especialista em Implantodontia e professor e coordenador do curso de Odontologia da Faculdade Promove-BH.
 

 

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