O fim do escritório?

Opinião / 20/11/2021 - 06h00

Rafael dos Santos Silva*
Vivaldo José Breternitz**


Por conta da pandemia da Covid-19, muitas empresas que sequer cogitavam mover sua força de trabalho, mesmo que uma pequena parte, para um formato de teletrabalho, tiveram que reinventar sua forma de atuar em poucas semanas. Essas semanas se tornaram meses e, agora, quase dois anos depois, 65% dos colaboradores que se tornaram remotos nesse período não querem voltar ao escritório. E 58% destes afirmam que vão procurar outro emprego caso tenham que voltar ao trabalho presencial.

Entre os principais benefícios do home office está a economia no tempo gasto do trajeto entre casa e trabalho. Nas grandes cidades, esse tempo é o grande vilão no dia a dia de milhões de trabalhadores que, segundo uma pesquisa de 2017, chega a tomar uma hora e meia, em média, do tempo de trabalhadores em São Paulo.

Outro grande benefício do trabalho remoto é sentido no bolso do trabalhador. Quando passam a maior parte do dia longe de casa, acabam gastando mais, desde o almoço com os colegas da empresa, passando por estacionamento, uma água no farol, ou mesmo com roupas novas para usar no escritório. No home office, quando se está a alguns passos da cozinha, esses custos diminuem muito.

Mas o home office após o fim da pandemia vai ser muito diferente do que se viu até aqui. Hoje, a maioria das empresas pensa em um modelo híbrido: colaboradores podem trabalhar em casa ou no escritório. Dias no escritório ficam reservados principalmente para reuniões de início de projeto, sessões de trabalho colaborativo e criativo.

Apesar de ser o ideal para a maioria, segundo pesquisas, o modelo híbrido traz consigo outra série de desafios. Como um time pode não estar inteiramente presente no escritório, a comunicação empresarial precisa levar em conta a localização de todo o time; não se pode mais reunir toda a equipe em minutos passando na mesa de cada um e chamando para uma reunião geral daqui cinco minutos. A comunicação escrita e assíncrona passa a ser o principal meio de comunicação, pois permite que todos participem e que ideias e projetos recebam a colaboração de quem não estava no escritório naquele dia.

Nessa linha, muitos novos softwares surgiram para apoiar esse novo mundo de trabalho corporativo assíncrono. Não apenas plataformas de chat como o Slack e o Microsoft Teams, ou mesmo de videochamadas como o Zoom e o Google Meet, mas plataformas de gerenciamento de conhecimento empresarial, de reuniões assíncronas, e de gerenciamento de projetos.

Vivemos, sem dúvida, mais uma revolução na forma de trabalho urbano.

* Engenheiro de software, mestrando em Computação Aplicada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.
** Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor do Programa de Mestrado Profissional em Computação Aplicada da Universidade Presbiteriana Mackenzie 

 

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