O 'novo normal' já começou

Opinião / 03/09/2020 - 06h00

Marcelo Sander *

Os tempos de pandemia do novo coronavírus e o fechamento do comércio levaram diversos empreendedores a ter que encontrar outras formas para divulgar seus produtos e serviços e vender. Se antes as plataformas digitais eram vistas, muitas vezes, apenas como uma vitrine para divulgação, agora se tornaram o principal ponto de venda. E essa mudança não é pouca coisa: o mercado digital vai evoluir cinco anos em cinco meses.

Claro, assim como quem chega primeiro bebe água limpa, aqueles empreendedores que já tinham a internet como principal plataforma de marketing e vendas levaram vantagem ante aqueles que tiveram que se adaptar durante a pandemia.

Lojas virtuais, marketplaces, Facebook, Instagram, Google, Whatsapp, Linkedin, Twitter e até mesmo o Tik Tok deixaram de ser, de uma hora para outra, meras extensões das lojas físicas e se tornaram preponderantes para a permanência das empresas no mercado. Aquele empresário que já não gostava antes ou fazia por obrigação, teve que aprender a gostar e a digitalizar sua empresa por questão de sobrevivência. E é um caminho sem volta!

Notícias recentes publicadas em sites sobre tecnologia e negócios mostram que o Instagram viu as lives crescerem 70% em março, tanto em transmissões quanto em audiência. Pesquisa realizada por uma plataforma, feita com os 50 maiores perfis de marcas no mundo, aponta um aumento na audiência global 28% maior no Instagram em relação ao Facebook (que também teve um aumento de acessos durante a pandemia).

Outra empresa de consultoria coletou dados de mais de 25 mil pessoas em 30 países entre 14 e 24 de março e concluiu que o uso do WhatsApp cresceu até 76% por conta do fechamento do comércio nos países que, naquele período, tinham mais vítimas da doença, como era o caso da Espanha. Juntos, Instagram e Facebook tiveram crescimento de 40% nesses países.
</CW>Já o estudo Benchmark Snapshot, com mais de 23 mil empresas em todo o mundo, aponta que, de fevereiro a maio, houve um aumento de 101% no uso do WhatsApp no atendimento a clientes, seguido por aplicações de chat (+34%) nos sites, SMS/texto (+30%), mídias sociais (+20%) e Twitter/FB direct message (+15%).
O Tik Tok é um caso à parte. O aplicativo saltou de cerca de 200 milhões de downloads no último trimestre de 2019 para 315 milhões no primeiro trimestre deste ano, chegando a mais de 2 bilhões de downloads no total, isso sem contar os downloads realizados por meio de sites de terceiros. Até o moribundo Snapchat voltou a ser mais instalado nos smartphones de todo o mundo.

No final dos anos 90 Bill Gates já afirmava que “em alguns anos vão existir dois tipos de empresas: as que fazem negócios pela internet e as que estão fora dos negócios”. Esse tempo chegou e aquelas empresas que não se adaptaram por amor terão que se adaptar pela dor. Para essas empresas, o mundo pós-pandemia, o “novo normal”, começou em março de 2020.

*Jornalista e professor de Marketing Digital nas Faculdades Kennedy/Promove
 

 

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