O patriarca dos Andradas

Opinião / 08/10/2019 - 06h00

Aristóteles Drummond

Nunca é demais repetir que os homens públicos mineiros têm a grande responsabilidade de dar continuidade a uma tradição de exemplares políticos através de nossa história, tanto no Império como na República.

O governador Romeu Zema já poderia ir tratando de nomear uma comissão de políticos mineiros, com o apoio da Casa Civil, para organizar as comemorações, ano que vem, do sesquicentenário do estadista de projeção nacional Antônio Carlos de Andrada, que marcou a vida pública mineira e brasileira por mais de 30 anos.

Poucos tiveram oportunidade de uma presença tão multifacetada como ele, prefeito de Juiz de Fora e de Belo Horizonte, presidente do Estado de Minas, ministro de Estado, presidente da Constituinte de 34. Chegou até a exercer a Presidência da República, na viagem de Getúlio Vargas à Argentina.

O notável homem público foi cercado do que havia de melhor na vida pública mineira e brasileira, a começar por Francisco Campos, que realizou a primeira reforma do ensino no Brasil, na Secretaria de Educação de Minas. E, mais ainda: foi líder de homens públicos de referência, como Abílio Machado, Gustavo Capanema, José Maria Alkmin. Seu irmão, José Bonifácio, foi deputado e embaixador do Brasil em postos importantes como Argentina e Bélgica. Foi cossogro de João Tostes e sogro de Lair Tostes. Seu apoio à Revolução de 30 foi decisivo.

Ao morrer, em 1946, foi enterrado no Rio de Janeiro, onde vivia, e teve entre os oradores, em seu túmulo, o meu avô Augusto de Lima Junior, em nome dos intelectuais mineiros.

Neste momento da vida brasileira, lembrar Antônio Carlos de Andrada e a família Andrada, presente na vida pública na Câmara dos Deputados, na Assembleia de Minas e na Prefeitura de Barbacena, é muito oportuno. Hoje, os Andradas, sob o comando de Bonifácio Andrada, seu sucessor natural, como sobrinho-neto vocacionado para servir com grandeza ao Brasil, como parlamentar e criador da Unipac, nome respeitado como grande reserva ética e moral do Brasil. Andradinha, como é conhecido, herdou a responsabilidade de seu pai, o notável Zezinho Bonifácio.

Fica a lembrança de reforçar a força de Minas nos seus homens públicos, que de tão marcantes deixaram descendência na vida pública, com a renovação dos compromissos históricos que honram as alterosas.

Jornalista e escritor

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