O Pintassilgo e a dor da perda

Opinião / 19/10/2019 - 06h00

Mauro Condé

“As pessoas não morrem, ficam encantadas” (Guimarães Rosa).

Acabo de voltar de uma viagem rumo ao conhecimento, usando como meio de transporte excelentes livros sobre literatura estrangeira.

Eles me levaram para o Mississipi, Estados Unidos, onde fui recebido pela escritora Donna Tartt, a quem fui logo pedindo:

Ensina-me algo que eu ainda não saiba e tenha o poder de mudar a minha vida para melhor.

Ela optou por resumir para mim a história de seu livro mais premiado mundialmente: “O Pintassilgo” – que fala de um garoto comum, de vida pacata e monótona.

Até que um dia ele se fere gravemente e sua mãe morre, em decorrência de um atentado terrorista que atingiu o Museu de Arte de Nova York, no dia em que eles tinham ido visitá-lo.

A última lembrança que Theo guarda de sua mãe é a do momento em que ela elogia o quadro “O Pintassilgo” como sua obra de arte favorita.

Durante a sua fuga, na hora do atentado, Theo se depara com aquela pintura perdida no meio dos escombros e decide esconde-la ilegalmente dentro de sua mochila, para tê-la como recordação da mãe.

A partir dali, a vida de Theo toma rumos dolorosos, como uma adoção por uma amiga da mãe, uma problemática reivindicação de guarda interesseira por parte do pai, que dura até o dia em que eles brigam e o pai, bêbado e drogado, morre num acidente de carro.

Theo tenta deslocar seu afeto para um amigo de adolescência, que o afunda de cabeça no mundo das drogas e dos pequenos delitos, com outras intenções.

Theo resolve se mudar novamente para Nova York, dá uma guinada na vida, se firma como refinado profissional no mundo das artes, ganha fama, prestígio, dinheiro e se casa.

Quando sua vida parece atingir o ápice, Theo é injustamente acusado pelo FBI de ter roubado e de ter tentado comercializar no mercado negro o valioso quadro “O Pintassilgo”, dado como desaparecido desde o atentado no museu.

O acaso se encarrega de colocar, acidentalmente, no caminho de Theo uma pista sobre o verdadeiro paradeiro de “O Pintassilgo” e sua vida se transforma numa saga para devolvê-la ao local de onde nunca deveria ter saído.

Curiosamente, o livro é baseado numa pintura real de 1654, de Carel Fabritius, discípulo de outros dois gênios holandeses da época, Rembrandt e Vermeer, que, coincidentemente, morreu em decorrência de uma explosão trágica.

Um livro que vale a pena e eu recomendo.

Palestrante, consultor e fundador do Blog do Maluco

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