O prestígio dos militares

Opinião / 04/06/2019 - 06h00

Aristóteles Drummond

Persiste, em alguns setores da sociedade - esquerdistas moderados, inclusive -, um certo inconformismo com o prestígio que os militares possuem nas classes médias e obreiras do Brasil. E, de forma inabalável, depois de décadas de pregação negativa, embora longe da verdade. Algum resultado foi obtido entre os mais jovens, das classes médias, com passagem nas universidades, públicas e privadas, transformadas em centros de doutrinação ideológica.

Talvez a falta de humildade e a arrogância, dos que se consideram donos da verdade e exemplares patriotas, não os deixem perceber que vêm de longe, desde o Império, os serviços prestados ao Brasil pelos militares. No Império, Duque de Caxias foi o maior responsável pela unidade territorial que temos. Depois, General Osório, Marquês do Herval e Almirante Tamandaré, Marquês de Tamandaré foram notáveis na difícil Guerra do Paraguai, em que o Brasil foi colhido de surpresa pelo ataque de Solano Lopez, que preparou seu exército com antecedência tal que resistiu por cinco anos à tríplice aliança, em que o Brasil foi destaque. Duque de Caxias chefiou o governo, foi ministro mais de uma vez e exerceu com liderança o mandato de senador do Império.

Proclamada a República, depois das decepções provocadas pela inexperiência de Deodoro e Floriano, o Brasil elegeu o Marechal Hermes da Fonseca, que soube ser líder e acompanhou o surgimento de uma safra de jovens militares, os tenentes nos anos 1920, que, a partir de 30 e por mais de 30 anos, deram ao Brasil ordem e progresso, com uma seleção de notáveis brasileiros. Getulio Vargas pôde permanecer 15 anos no poder, parte eleito e outra como ditador, com o apoio do povo brasileiro, mas respaldado pelos militares.

Quando nossa democracia foi atropelada por dois equivocados, no início dos anos 1960, com a renúncia de um e a fraqueza de outro, foram os militares que tiraram o país de uma grave ameaça. Além da ordem restabelecida, fizeram com que, em 21 anos, passássemos da 46ª economia mundial para a 8ª. E não avançamos mais pelo fato de a crise do petróleo, que mudou a economia mundial, ter encontrado à frente de nosso governo um militar preparado, mas equivocado e teimoso, que foi o general Ernesto Geisel.

Agora, foi o povo que, nas urnas, chamou os militares de volta, para a tarefa de verdadeira reconstrução nacional, após 14 anos de toda sorte de malfeitos na alta administração do Brasil. O país é forte, tem uma economia que sobreviveu à tempestade da incompetência, da fúria fiscal e da hostilidade ao investimento. Nem o setor público investiu.

Portanto, o momento deve ser de conformismo com a realidade, aceitando que Deus proporcionou uma nova oportunidade para o Brasil crescer com responsabilidade e sustentabilidade. E com a influência de seus militares, que, pela democracia, sofreram toda sorte de agressões e perseguições em silêncio, mas com muita dignidade.

Vamos pensar no Brasil honestamente, sem ideologia; só com patriotismo.

Jornalista e escritor

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